Estudo da UC Davis sugere que equações de Einstein explicam a expansão do Universo sem energia

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Davis apontam instabilidade nas soluções de Friedmann das equações de Einstein-Euler.

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Universo | Foto: Reprodução/Exame
Universo | Foto: Reprodução/Exame

A energia escura, apontada como a principal explicação para a expansão acelerada do Universo, pode não ser indispensável. Um estudo matemático recente sugere que essa aceleração poderia surgir das próprias equações da relatividade geral de Albert Einstein.

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Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos, identificaram uma possível instabilidade nas estruturas matemáticas usadas para descrever a evolução do cosmos desde o Big Bang. O trabalho foi publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society A.

Como a energia escura entrou na cosmologia

A energia escura é o nome dado ao componente desconhecido que, no modelo cosmológico predominante, responde pela expansão acelerada. Na década de 1990, observações astronômicas mostraram que o cosmos não apenas se expandia, mas fazia isso cada vez mais depressa.

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Uma das saídas encontradas pelos cientistas recorre à constante cosmológica, termo que Einstein introduziu em suas equações da relatividade geral. Atualmente, esse elemento integra o modelo Lambda-CDM, também conhecido como modelo cosmológico padrão, que narra a evolução do Universo desde os primeiros estágios.

Esse arcabouço parte do princípio de que, em escalas muito grandes, a matéria se distribui de forma aproximadamente uniforme. Foi sobre essa base que os pesquisadores de Davis passaram a questionar se as soluções matemáticas do modelo continuam estáveis diante de pequenas perturbações.

Instabilidade nas equações de Einstein-Euler

A equipe examinou as equações de Einstein-Euler, que unem a relatividade geral a modelos matemáticos usados para descrever o comportamento dos fluidos. O foco recaiu sobre os espaços-tempos de Friedmann, empregados para representar a expansão do Universo.

De acordo com os autores, essas soluções se mostram instáveis quando submetidas a certas perturbações matemáticas. Na prática, pequenas mudanças nas condições do modelo podem se amplificar com o tempo e gerar comportamentos diferentes dos previstos inicialmente.

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Blake Temple, professor emérito de matemática da Universidade da Califórnia em Davis e um dos autores do estudo, compara a situação a um lápis apoiado em pé sobre a ponta. Ele pode ficar equilibrado por um instante, mas qualquer perturbação basta para derrubá-lo.

Para os pesquisadores, algo parecido pode acontecer com as soluções que sustentam a cosmologia convencional.

Expansão acelerada poderia surgir sem energia escura

Para testar essa hipótese, os cientistas recorreram a soluções autossimilares, que mantêm certas características quando observadas em escalas diferentes. Eles as aplicaram ao Universo primitivo, sobretudo nos períodos em que predominavam a radiação e a matéria.

A análise tratou o modelo padrão como um estado de equilíbrio matemático e acompanhou o efeito de pequenas perturbações. Segundo os resultados, algumas dessas alterações tendem a crescer com o tempo, em vez de desaparecer.

Nessa leitura, a aceleração cósmica surgiria diretamente das equações da relatividade geral, sem depender necessariamente de uma constante cosmológica ou da presença de energia escura. O próprio estudo, porém, oferece uma explicação teórica e não uma demonstração observacional de que esse componente seja dispensável.

Modelo alternativo considera um centro de simetria

O estudo também toca no princípio copernicano, segundo o qual a Terra não ocupa posição privilegiada no Universo. A ideia sustenta boa parte da cosmologia moderna e parte da suposição de que o cosmos apresenta traços semelhantes quando observado de regiões diferentes, em escalas suficientemente grandes.

O modelo alternativo analisado pelos pesquisadores descreve uma estrutura com simetria esférica, em que a expansão pode variar conforme a distância até um centro. Segundo Temple, nas regiões centrais o Universo poderia se parecer com o previsto pelo modelo convencional, mas se comportar de outro modo nas áreas mais afastadas.

A proposta levanta dúvidas sobre a posição do observador e sobre como essas diferenças poderiam aparecer em observações astronômicas. O trabalho, porém, não prova que a energia escura não exista. Suas conclusões dependem de uma abordagem teórica específica e ainda precisam ser confrontadas com dados do Universo real.

O próximo passo é verificar se o modelo alternativo consegue reproduzir os fenômenos que a cosmologia convencional já explica.

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