TSE vê interferência de Moraes e ordem sobre IA de Bolsonaro gera mal-estar

A decisão de Alexandre de Moraes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), em exigir explicações sobre o uso de um vídeo com inteligência artificial de Jair Bolsonaro (PL) durante o evento que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) gerou desconforto no TSE (Tribunal Superior Eleitoral.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Ministros dessa corte veem essa ação como uma interferência e pressão por parte de Moraes. O ministro declarou que as explicações da defesa do ex-presidente são essenciais para averiguar se houve “flagrante desrespeito à legislação eleitoral por Flávio Nantes Bolsonaro e pelo Partido Liberal”.
Nos bastidores do TSE, integrantes avaliam que o debate sobre a utilização da tecnologia e possíveis irregularidades deve ser tratado internamente pela própria corte, e não pelo STF. Essa ordem de Moraes intensificou a rivalidade entre setores do STF e do TSE.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Ministros expressam, em conversas reservadas, que essa situação não é isolada e se soma a outros episódios onde questões eleitorais foram discutidas no STF, quando deveriam estar sob a competência do TSE.
Conflito entre tribunais
A percepção sobre essa questão é compartilhada por membros do Ministério Público Eleitoral. Eles afirmam que decisões recentes dos ministros demonstram o que consideram ser “a lei do mais forte”. A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro também sente que o STF deve intervir mesmo diante das críticas.
Essa atuação dos ministros do STF já chegou ao conhecimento da alta cúpula da corte.
Por outro lado, a expectativa é de que essa disputa entre os tribunais continue acirrada e se torne um tema recorrente no Judiciário durante as eleições deste ano. Recentemente, Moraes determinou que a Procuradoria – Geral Eleitoral analisasse uma carta escrita por Bolsonaro e lida por Flávio na ocasião.
Para Moraes, o conteúdo da carta possui “carga semântica equivalente a pedido explícito de voto”, podendo ser caracterizado como propaganda eleitoral antecipada.
O ministro enviou cópias da decisão e dos vídeos ao procurador – geral eleitoral. Além disso, a abertura de um inquérito para investigar se o pré-candidato bolsonarista cometeu o crime de calúnia contra o presidente Lula também é citada no pacote de atuações do STF de impacto eleitoral.
Moraes presidiu o TSE durante as eleições de 2022, mas deixou a corte em junho de 2024.
Mesmo assim, ainda mantém influência significativa no cenário eleitoral através da relatoria de processos relevantes.
Implicações para as candidaturas
A atuação incisiva de Moraes inclui um inquérito que influenciou a decisão do ex-governador Cláudio Castro (PL) em desistir da candidatura ao Senado. Esse contexto pode impactar também Márcio Canella (União-RJ), aliado de Flávio Bolsonaro, que também foi alvo da PF sob determinação do ministro.
No processo relacionado à execução da pena de Bolsonaro, Moraes proibiu o ex-presidente de manifestações político-eleitorais e suspendeu visitas de Flávio ao pai por 90 dias, prazo que se encerra após o primeiro turno das eleições.
A atuação contundente de Moraes se junta a outras iniciativas realizadas por seus colegas no Supremo. Um exemplo disso é Gilmar Mendes, que pediu uma investigação contra Romeu Zema, candidato à presidência pelo Novo, pela publicação de vídeos contra o STF.
Mendes tornou clara a tensão entre os dois tribunais em entrevista ao afirmar que o STF pode eventualmente derrubar a decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, de censurar a divulgação da pesquisa da AtlasIntel.
A suspensão da divulgação da pesquisa realizada pelo instituto Atlas Intel por Nunes Marques gerou críticas tanto no Supremo quanto entre os ministros do TSE. Muitos acreditam que este assunto deveria ser resolvido internamente pelo próprio tribunal para evitar intervenções externas do STF.
Atualização em 28/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.
Editoria:
Redação Política
A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



