Mesmo com denúncias desde as 13h30, TSE só agiu perto das 17h e Zanin prorrogou a votação até as 19h

Brasília – A demora sucessiva do Judiciário durante a votação do segundo turno das eleições 2026, no domingo, 25 de outubro, provocou confusão na disputa presidencial. A falta de ônibus em várias capitais agravou o problema, e as duas campanhas podem recorrer à Justiça.
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As críticas vieram de advogados eleitorais e das próprias chapas presidenciais. Os alvos foram o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin e o presidente da Suprema Corte, Edson Fachin.
Para o eleitorado, a imagem da Justiça Eleitoral saiu arranhada.
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Falta de ônibus deixou eleitores sem transporte
Tudo começou no fim da manhã, quando eleitores reclamaram da falta de ônibus em grandes centros urbanos como São Paulo e Salvador. Constatou-se que as empresas que prestam o serviço não colocaram veículos suficientes nas ruas no dia da votação.
A legislação eleitoral determina que as prefeituras disponibilizem transporte no dia das eleições. Na prática, a oferta não ocorreu em vários pontos dessas cidades e também no Rio de Janeiro.
TSE recebeu denúncias às 13h30 e só agiu perto do fim da votação
Por volta das 13h30, o TSE já tinha recebido as denúncias, mas o órgão não tomou nenhuma decisão. Nunes Marques pediu informações aos Tribunais Regionais Eleitorais quando faltavam cerca de 30 minutos para o encerramento da votação, às 17h.
A conduta do ministro se soma a episódios anteriores que já haviam gerado polêmica. À frente do TSE, ele tomou várias decisões para derrubar o canal “Exército do Lula”, no Whats App, liderado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Além disso, fotos de Nunes Marques com o banqueiro preso Daniel Vorcaro vieram a público por meio de material da Polícia Federal, no âmbito das investigações do caso Banco Master.
Zanin prorrogou a votação para as 19h após 17h
Com a demora do TSE, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou com ação no STF pedindo a prorrogação do horário de votação. O ministro Cristiano Zanin, de plantão no Supremo no domingo, acatou o pedido e estendeu a votação para as 19h. A decisão saiu às 17h01, depois do horário previsto para o fim, o que também atrasou a comunicação com os tribunais eleitorais nos estados.
Zanin foi advogado de Lula no processo que anulou a condenação do petista, preso em Curitiba (PR), na época. A decisão tardia chegou quando a maioria das urnas já estava encerrada. O despacho dizia que valeria apenas para urnas ainda abertas, e não para as já fechadas.
Mesmo assim, eleitores que tentaram votar depois das 17h encontraram locais com os portões fechados e não conseguiram votar. Mesários e responsáveis pelo processo nas escolas admitiram que não foram avisados a tempo. Como as urnas não podem mais ser usadas depois do encerramento, não havia como retomar a votação.
Especialista vê omissões e descarta anulação das eleições
Para o cientista político e advogado especializado em direito eleitoral Valdir Pucci, o problema central foi a inação do TSE. “O grande problema foi que o ministro Kassio Nunes decidiu não decidir. O TSE poderia ter decidido mais cedo, no começo da tarde, mas isso não aconteceu”, disse ao Neo Feed.
Ele também criticou Zanin, que decidiu às 17h01, e Fachin, que demorou para distribuir o processo.
Pucci lembrou que a lei prevê votação em cédulas de papel quando urnas eletrônicas apresentam problemas, mas ponderou que nem todos os locais dispõem desse material. Segundo ele, a contestação do resultado deve ocorrer independentemente de quem perder. “Agora, não acredito que teremos eleições anuladas por conta disso. Acho muito difícil”, afirmou.
O advogado acredita que as ações para questionar o resultado tendem a perder força porque as duas campanhas também pediram à Justiça a extensão do horário de votação, ainda que por motivos diferentes. Flávio Bolsonaro (PL) pediu a prorrogação em estados da região Sul por causa de chuvas que dificultaram o acesso dos eleitores.
Já Lula solicitou o mesmo em locais como São Paulo e Salvador, em razão da falta de transporte coletivo em muitos bairros.
Pucci fez uma defesa do processo eleitoral. “O nosso processo eleitoral é impecável. Um país como o nosso realizar uma eleição e divulgar o resultado no mesmo dia é exemplar. Agora, a Justiça Eleitoral, por decisões pessoais dos ministros Kassio, Zanin e Fachin, saiu arranhada porque não tomou as decisões necessárias que se esperava deles”, frisou.
Editoria:
Redação Economia
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