Ibovespa cai 13,88% após reeleição de Lula, mas histórico mostra que a ressaca pode ser curta

Levantamento da Elos Ayta mostra que, em todas as eleições desde 2002, o índice fechou em alta na primeira semana, mas a recuperação deve ser demorada.

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Bolsa de valores: queda | Foto: Reprodução/NeoFeed
Bolsa de valores: queda | Foto: Reprodução/NeoFeed

Os mercados brasileiros tiveram, na segunda-feira, 26 de outubro, a maior reação negativa após um segundo turno presidencial em pelo menos 24 anos, depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A frustração com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) pesou sobre os papéis desde a abertura.

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Perto das 12h, o Ibovespa despencava 16,4%, aos 171.421,60 pontos, e o circuit breaker foi acionado no começo do pregão. No fim, o índice fechou com queda de 13,88%, aos 176.608 pontos.

Magazine Luiza e Vamos lideram as perdas na Bolsa

O mau humor atingiu praticamente todos os setores. Em certo momento do pregão, Vamos e Magalu registraram as maiores quedas do índice, ambas com 55%. A B3, vista como principal aposta para uma retomada, recuou 38%.

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Já o real perdeu força diante do dólar. A moeda americana subiu 9,72%, a R$ 5,46. No fechamento, a ação da Magazine Luiza recuou 58,2% e liderou as perdas do Ibovespa, seguida por Vamos (56,79%), Hapvida (54,93%) e CA (47,47%).

Histórico de eleições mostra quedas que nem sempre se mantêm

Se o passado servir de referência, o tombo inicial não significa que as perdas vão se prolongar nos próximos dias. Ainda assim, a recuperação deve ser demorada e vai depender de sinais políticos firmes de Lula, na avaliação da reportagem.

Levantamento da consultoria Elos Ayta, feito a pedido do Neo Feed, mostra que o Ibovespa caiu no primeiro pregão após o segundo turno em quatro das seis eleições presidenciais desde 2002. Em todas elas, porém, o índice fechou em alta na primeira semana após a votação, independentemente de quem venceu.

A maior queda no primeiro pregão ocorreu justamente na primeira eleição de Lula, em 2002, quando o Ibovespa recuou 4,4% e o dólar PTAX caiu 1,6%. Na semana seguinte, o índice acumulou valorização de 1,26%, e o dólar PTAX teve queda de 5%.

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Em 2014, Dilma Rousseff derrotou Aécio Neves em uma disputa apertada, e a Bolsa caiu 2,77% no primeiro pregão, enquanto o dólar PTAX subiu 2,16%, a maior valorização da moeda entre as seis eleições analisadas. Na mesma semana, porém, o Ibovespa teve o maior avanço do período, com alta de 5,18%, e o dólar PTAX caiu 1,46%.

Em 2018, a vitória de Jair Bolsonaro, vista por boa parte dos investidores como alinhada a uma agenda econômica liberal, também não trouxe reação imediata. O Ibovespa caiu 2,24% no primeiro pregão, mas fechou a primeira semana com alta de 3,15%, enquanto o dólar PTAX registrou valorização de 0,6%, segundo a Elos Ayta.

Crises internacionais pesam mais que a política na Bolsa

Apesar de ganhar manchetes, o peso da política na Bolsa é relativo. Einar Rivero, sócio-fundador da Elos Ayta, destacou que nove das dez maiores quedas entre 1994 e 2020 ocorreram em meio a crises internacionais. A maior delas foi em 10 de setembro de 1998, quando o Ibovespa despencou 15,83% por causa da crise russa.

Apenas uma das dez grandes quedas esteve diretamente ligada a um acontecimento político brasileiro. Em setembro de 1994, o índice caiu 10,50% após a repercussão do escândalo da parabólica, que envolveu o então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero. “As maiores quedas da Bolsa ocorreram em períodos de elevada incerteza, quando acontecimentos internacionais provocaram fortes movimentos de aversão ao risco”, disse Rivero.

O que o mercado espera do governo Lula

A grande questão agora é se o histórico se repete diante de uma queda desse tamanho. Nas últimas semanas, a Bolsa tinha acumulado ganhos expressivos e o real se fortalecia, com a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro e de uma mudança na condução da política econômica a partir de 2027, com maior controle fiscal.

“O mercado está simplesmente reprecificando o fato de que não teremos uma guinada na política econômica. Vamos manter a mesma política econômica que o governo vem conduzindo nos últimos quatro anos”, afirma Roberto Motta, estrategista macro da Genial Investimentos.

Para ele, a recuperação sustentada dependerá da formação da equipe econômica e de como o governo pretende resolver o problema orçamentário.

“Se Lula não der uma sinalização clara, por exemplo, anunciando alguém com credibilidade junto ao mercado para comandar o Ministério da Fazenda, a situação pode se deteriorar em termos de expectativas e criar uma bola de neve”, afirma Motta.

Para Elisa Machado, economista-chefe da KAT Investimentos, os movimentos de curto prazo não devem ser lidos isoladamente como sinal sobre a economia em 2027. “Empresas com balanços sólidos e geração consistente de caixa tendem a apresentar maior capacidade de atravessar períodos de turbulência. Em contrapartida, companhias menores, excessivamente alavancadas ou com menor liquidez podem sofrer correções mais intensas”, disse ela em comentário a clientes.

A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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