Trump volta a falar em fraude na eleição de 2020; historiador vê ‘narrativa imaginária’
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a levantar suspeitas de irregularidades na eleição de 2020, em que Joe Biden foi declarado vencedor. Desta vez, o republicano falou em interferência estrangeira no pleito e citou documentos divulgados pela Casa Branca como base para as alegações.
“Narrativa imaginária”
Para Valério Arcary, historiador e professor do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), Trump construiu uma “narrativa imaginária” segundo a qual teria vencido as três últimas eleições presidenciais que disputou, inclusive a de 2020, e as alegações de fraude são necessárias para sustentá-la. Segundo ele, manter essa retórica é a forma que o presidente encontrou de não admitir publicamente a derrota.
Interferência em outros países
O historiador também aponta um padrão de interferência de Trump em eleições de outros países e cita a atuação recente do republicano em relação à disputa na Colômbia. “Não é segredo que a CIA tem tentáculos capazes de manipular as lutas políticas para favorecer o triunfo dos governos alinhados incondicionalmente com os EUA”, afirmou Arcary em entrevista à Conexão BdF, programa da Rádio Brasil de Fato.
Ameaças econômicas
Arcary relacionou as declarações ao caso brasileiro e lembrou o tarifaço aplicado por Trump aos produtos do Brasil. “Se antes da eleição eu faço um tarifaço, caso vocês não escolham meu candidato, imaginem o que vai acontecer”, disse, ao descrever a lógica que atribui ao presidente americano.
Ele também criticou o uso de uma suposta ameaça chinesa nas alegações de fraude, que, segundo ele, busca criar pânico moral nos EUA antes das eleições de meio de mandato, em novembro.
“Não dá para levar a sério”
Arcary rejeitou a tentativa de ressuscitar discursos da Guerra Fria sobre uma ameaça socialista interna. “Não dá para levar isso tão a sério”, afirmou. Para ele, Trump não tem autoridade para falar em interferência eleitoral depois do que fez na Argentina no ano passado.
O professor lembrou que, antes das eleições legislativas argentinas de 2025, Trump disse publicamente que os Estados Unidos não seriam generosos com a Argentina se o partido do presidente Javier Milei fosse derrotado.
Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.
Editoria:
Redação Política
A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.