Trump suspende sanções para manter a Rússia nas negociações, apesar de tarifas de até 100%
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste domingo (18) que suspendeu sanções e tarifas ligadas a exportações russas para manter a Rússia na mesa de negociações. Em publicação na rede social Truth Social, disse que não quer fazer “nada que, de forma imprudente, afaste a Rússia da mesa de negociações”.
A decisão foi criticada pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que a chamou de “equivocada” e afirmou que ela pode incentivar novas agressões russas. No sábado (17), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que Trump deve levar até 60 dias para avaliar o impacto econômico da medida.
Lei previa tarifas de até 100% sobre importações
A suspensão foi anunciada dias antes da entrada em vigor da lei que aplicaria as sanções. A legislação, cuja principal defesa no Congresso ficou a cargo do falecido senador Lindsey Graham, previa tarifas de até 100%, impostas no prazo de 30 dias, sobre produtos importados pelos EUA dos cinco maiores compradores de petróleo bruto ou gás russo.
A medida também poderia atingir qualquer país que, 30 dias após a promulgação da lei, tivesse comprado petróleo ou gás russo deliberadamente ou estivesse entre os cinco principais países que ajudam a Rússia a contornar as sanções.
Trump sancionou a “Lei Lindsey O. Graham de Sanções contra a Rússia e o Irã de 2026” em meados de setembro. Na ordem divulgada pela Casa Branca na sexta-feira, afirmou: “Submeti ao Congresso uma certificação de que a concessão de tal isenção, neste momento, atende aos interesses nacionais dos Estados Unidos”.
Zelensky critica suspensão após ataque à energia ucraniana
Zelensky contestou a decisão no momento em que a Rússia realizava o que ele descreveu como um dos maiores ataques à energia ucraniana. “A decisão de desfazer tudo isso, de bloquear tudo isso, me parece equivocada”, escreveu na rede social X. “Isso certamente ajuda apenas os russos.”
O presidente ucraniano também criticou a suspensão da lei: “Numa altura em que os russos levaram a cabo um ataque tão massivo ao nosso setor energético, infelizmente foi tomada uma decisão na América de ignorar completamente a Lei Lindsey Graham, que deveria impor uma pressão verdadeiramente eficaz sobre a Rússia para pôr fim a esta guerra”.
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“Esta lei poderia ter ajudado imensamente – e ainda pode! Mas é preciso que ela realmente funcione, e cada voz em seu apoio faz diferença”, acrescentou Zelensky.
Legisladores dos EUA também condenam a medida
Na Rússia, Kirill Dmitriev, chefe do fundo soberano do país, comemorou a isenção em uma publicação no X. Ele a chamou de “um momento importante e verdadeiramente histórico” e disse que “a cooperação econômica entre a Rússia e os Estados Unidos atende aos interesses de ambas as nações”.
Entre os críticos nos EUA, a senadora democrata Elizabeth Warren classificou a decisão como um “fracasso de liderança abjeto e previsível” e citou o “forte apoio bipartidário” à Ucrânia. O deputado republicano Don Bacon afirmou que Trump “está prolongando a guerra, não encerrando-a”.
Don Beyer, que representa a Virgínia na Câmara dos Representantes, escreveu no X que a decisão “trai, mais uma vez, nossos parceiros ucranianos e desafia a clara intenção do Congresso”. Já o senador Richard Blumenthal, que ajudou a redigir o projeto de lei, disse: “Essas isenções não têm nada a ver com a nossa segurança nacional; têm tudo a ver com bajular Vladimir Putin”.
Países como a Índia, um dos maiores compradores de petróleo russo, manifestaram preocupação com a legislação. (Com informações da Reuters).
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