Trump ameaçou vetar tudo, mas agora diz que vai trabalhar com os democratas no Congresso

A mudança de tom de Donald Trump depois da vitória democrata nas eleições legislativas mostra que ele precisará negociar com uma oposição mais forte no Congresso. A avaliação é de Henrique Magalhães Gomes, professor de Relações Internacionais do Ibmec, para quem o resultado vai obrigar Trump a ajustar a retórica e a forma de atuar nos dois anos que lhe restam no mandato.
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No Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall Agnol na quarta-feira (4), a apresentadora colocou lado a lado a ameaça de vetar tudo o que chegasse à sua mesa e a declaração posterior de que trabalharia com os democratas. “Trump teve um recálculo, vai ter um recálculo de rota e de discurso”, afirmou o professor.
Retórica de campanha cede lugar ao peso do cargo
Para Gomes, o discurso usado para mobilizar eleitores nem sempre resiste ao dia a dia do poder. Em campanha, lideranças costumam endurecer o tom para ganhar votos e convencer quem ainda não escolheu um lado.
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Passada a eleição, porém, o governo tem de lidar com a composição real do Congresso. Na análise do professor, o aceno de Trump aos democratas marca justamente essa passagem: do confronto eleitoral para a tarefa prática de governar.
Quais obstáculos Trump terá pela frente?
O professor citou a possibilidade de bloqueio de projetos e a chance de novos processos de impeachment, que, na visão dele, podem tornar o restante do mandato mais difícil. Com uma maioria opositora nas duas Casas, os desafios políticos do governo aumentam.
Gomes também lembrou que as indicações para a Suprema Corte podem encontrar resistência. Para ele, esses pontos deixam a relação com o Congresso mais delicada e ajudam a entender por que Trump decidiu sinalizar diálogo.
Aceno aos democratas é pragmatismo, e não guinada ideológica
Na leitura do professor, a declaração reflete sobretudo uma escolha pragmática diante da nova correlação de forças. Trump busca uma relação menos conflituosa com quem venceu a eleição, como forma de contornar os limites impostos pelo resultado.
“Ele tenta deixar levemente a ideologia de lado”, afirmou o professor. Para ele, conversar com a oposição faz parte do exercício democrático do governo, e o aceno serve para abrir espaço a acordos em um cenário que tende a ser mais difícil para Trump.
Editoria:
Redação Internacional
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