Trump promete trabalhar com democratas no Congresso: “Provavelmente chegaremos a algum acordo”

Ao aceitar o resultado das eleições de meio de mandato, o presidente dos EUA indica abertura à oposição, mas ataca aliados como Greg Abbott e a Fox News.

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JIM WATSON / AFP

Donald Trump afirmou na terça-feira (3) que aceitará os resultados das eleições de meio de mandato e que está disposto a negociar com os democratas, que avançaram no controle do Congresso.

A declaração foi dada ao jornal The New York Times, em meio à derrota do Partido Republicano nas disputas legislativas. “Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, disse o presidente. “Vamos trabalhar com os democratas e esperamos poder trabalhar com eles. Provavelmente chegaremos a algum acordo.”

Trump admite derrota, mas com ressalvas antigas

A fala destoa do que Trump vinha dizendo sobre a confiança no processo eleitoral dos Estados Unidos. Na campanha, ele já havia vinculado o reconhecimento de uma eventual derrota à lisura da votação.

Questionado em 27 de outubro sobre aceitar o resultado, respondeu: “Sim, se [os resultados] forem honestos.” Nas semanas anteriores à votação, ele também discursou em comícios de diferentes estados e pediu aos eleitores que votassem nos republicanos como se estivesse na cédula.

Ao mesmo tempo, Trump tentou se afastar do fracasso do partido. Em uma publicação na rede Truth Social, lembrou que não disputava a eleição e escreveu: “Se eu estivesse, teríamos vencido de lavada“.

Críticas a aliados e à Fox News depois da votação

Apesar do tom conciliador sobre o resultado, Trump publicou uma sequência de ataques a aliados e a veículos conservadores no Truth Social. O governador do Texas, Greg Abbott, foi um dos alvos. Trump o chamou de “RINO”, termo pejorativo usado para republicanos considerados pouco alinhados ao partido, e disse que Abbott poderia ter evitado a derrota se tivesse mantido suas posições anteriores.

O presidente também criticou a Fox News por dar espaço ao ex-prefeito democrata de Nova York Bill de Blasio. Para ele, a presença de políticos da oposição na programação da emissora ajudou a produzir resultados ruins para os republicanos.

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Em outra postagem, Trump afirmou que passaria a comentar as disputas eleitorais para explicar vitórias e derrotas. Ele ainda compartilhou a imagem de um boné vermelho com a palavra “VETO”, que faz referência ao poder do presidente de rejeitar projetos aprovados pelo Legislativo.

Democratas ganham força para fiscalizar o governo

Com a virada nas urnas, a correlação de forças em Washington muda. Com a maioria na Câmara dos Representantes, a oposição pode abrir investigações, intimar integrantes do governo Trump e revisar decisões tomadas pela Casa Branca.

A nova composição também torna possível um terceiro processo de impeachment contra o presidente. O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, disse que a legenda ainda não decidiu nada, mas não descartou a medida. Segundo ele, qualquer iniciativa precisará se apoiar em fatos, nas leis e na Constituição dos Estados Unidos.

Trump já enfrentou dois processos de impeachment, em 2019 e 2021, durante o primeiro mandato, e foi absolvido pelo Senado nas duas ocasiões. Uma nova acusação exigiria maioria simples na Câmara. Já a destituição dependeria do voto de dois terços dos senadores presentes no julgamento.

O reconhecimento anunciado nesta terça-feira contrasta com a reação do republicano à derrota de 2020. Naquele ano, depois de perder para Joe Biden, ele passou a alegar fraude eleitoral sem apresentar provas que sustentassem as acusações.

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