Trump à CNN: voltar à guerra contra o Irã é “altamente improvável” se houver avanço nas negociações
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse no domingo, 8, que é “altamente improvável” que precise mandar o país voltar à guerra contra o Irã, desde que haja avanço nas negociações sobre o programa nuclear de Teerã e a reabertura do Estreito de Ormuz.
A declaração foi dada em entrevista de 20 minutos à CNN.
Durante a conversa, o republicano repetiu a mesma avaliação cinco vezes. Ao falar do governo iraniano, ele condicionou qualquer decisão a um desfecho: “Depende de eles assinarem ou não um acordo muito forte”.
Trump cita inflação de 301% e diz que Irã está em colapso
Trump descreveu o Irã como “uma nação em colapso” e citou uma inflação de 301% registrada no país neste ano. “A resposta é que é altamente improvável que seja necessário”, afirmou. Ele disse que agiria caso fosse preciso, mas ressaltou que os Estados Unidos “os atingiram com muita força”.
Na sequência, o mandatário insistiu na pressão econômica e militar. “Eles estão definhando financeiramente. Nós os atingimos militarmente. Poderíamos acabar com eles”, acrescentou.
Impasse militar e tensão no Estreito de Ormuz
Oito meses após o início da guerra, os dois lados estão travados. Nas últimas semanas, houve poucas ações militares diretas e a diplomacia avança devagar, enquanto petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz seguem como alvo de ataques iranianos.
Autoridades dos dois países e do Catar, que atua como mediador, não têm falado sobre o andamento das conversas. Ainda assim, a ala linha-dura do regime iraniano vê no resultado das eleições legislativas americanas um sinal de fraqueza do governo Trump.
A impopularidade do conflito entre os eleitores dos EUA ajudou a pesar nessa leitura.
Para Teerã, a nova correlação de forças obrigaria Washington a aceitar suas exigências, como manter o controle do estreito e preservar o programa nuclear, que o Irã diz ter fins exclusivamente energéticos. Enquanto isso, o país tem dificuldade para vender petróleo bruto nos mercados globais por causa das sanções americanas, e bilhões de dólares em ativos em bancos estrangeiros seguem congelados.
“Estamos prontos para isso”, diz Trump sobre forças na região
Trump já havia dado sinais contraditórios sobre a disposição de encerrar o conflito. Na entrevista, deixou claro que as Forças Armadas americanas estão posicionadas na região e prontas para atacar, se ele der a ordem. “Estamos prontos para isso. Tenho três porta-aviões lá. O último acabou de chegar. Eles estão totalmente carregados e preparados”, afirmou.
O presidente também disse que os EUA já mapearam alvos de infraestrutura no interior do Irã, como usinas de energia e pontes, para o caso de uma retomada militar. “Temos 38 pontes em nossa mira que podemos derrubar em literalmente uma hora. Todas cairiam.”
Ele, porém, afirmou preferir não destruir a infraestrutura civil iraniana. “Eu não quero fazer isso porque, essencialmente, levará 10 anos para reconstruí-las”, disse. “Não gosto de derrubar pontes. A coisa mais difícil de se construir é uma ponte. Leva anos, e eu sou um bom construtor.”
Estoque iraniano reduzido e contatos diplomáticos
Os contatos diplomáticos na região se intensificaram a partir da terça-feira, 3, logo após o fechamento das urnas legislativas nos EUA. Na sexta-feira, 6, o Catar informou que Trump telefonou para o emir Tamim bin Hamad Al Thani para tratar da desescalada das tensões.
No dia anterior, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, falou com colegas da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, de Omã, do Paquistão, do Kuwait, da Jordânia, da Turquia, do Chipre e do próprio Catar.
Sobre a defesa iraniana contra novos ataques, Trump disse que o sistema antiaéreo do adversário foi destruído. “Eles não podem nos parar porque não têm equipamento antiaéreo. Toda a defesa antiaérea deles acabou.” Ele estimou ainda que o regime tenha apenas 10% da capacidade de mísseis e 15% da frota de drones. “A única coisa que eles podem fazer é operar nesse nível de 10% — fabricar alguns mísseis e drones. Drones em cerca de 15%, porque a maior parte de suas fábricas desapareceu.”
Ao repetir a perspectiva de nova ação militar, o presidente encerrou a entrevista com a avaliação de que “muito provavelmente não será necessário [atacar]”. “Eles querem muito fechar um acordo.”
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