Todd Blanche reclassifica maconha medicinal nos EUA e abre portas para novas pesquisas

Reclassificação da Maconha Medicinal nos EUA
O procurador-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche, assinou uma ordem na quinta-feira (23) que reclassifica a maconha medicinal licenciada pelo estado como uma substância menos perigosa. Essa mudança altera uma política que, por décadas, dificultou a pesquisa sobre os potenciais benefícios medicinais da droga.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Vale destacar que a ordem de Blanche não legaliza o uso recreativo da maconha sob a legislação federal.
A nova diretriz transfere a maconha medicinal licenciada da Lista I — que inclui drogas altamente restritas, como heroína e ecstasy — para a Lista III, a mesma categoria de alguns medicamentos prescritos, como cetamina e Tylenol com codeína. Além disso, a ordem oferece isenção fiscal aos vendedores de maconha medicinal licenciados e flexibiliza algumas restrições à pesquisa sobre seus efeitos.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Impactos e Reações
Blanche comentou que essas ações permitirão pesquisas mais rigorosas sobre a segurança e eficácia da maconha, ampliando o acesso dos pacientes a tratamentos e permitindo que médicos tomem decisões de saúde mais informadas. A DEA (Administração de Combate às Drogas) também realizará audiências administrativas sobre a reclassificação da maconha de maneira mais abrangente, conforme afirmou Blanche.
A tentativa de rebaixar a classificação da maconha foi discutida por diversas administrações, mas nenhuma conseguiu finalizar uma regulamentação. O ex-presidente Joe Biden iniciou uma nova tentativa no último ano de seu mandato, mas não a concluiu antes de deixar o cargo.
Leia também
Críticos apontaram que a lentidão do processo se deveu à relutância da então administradora da DEA, Anne Milgram.
Desafios e Apoio à Reclassificação
Embora a regulamentação tenha sido programada para audiências administrativas antes do término do mandato de Biden, foi suspensa indefinidamente pelo juiz-chefe da DEA. O ex-presidente Donald Trump também havia solicitado ao Departamento de Justiça que acelerasse o processo, mas houve pouca movimentação pública nos meses seguintes, gerando frustração entre defensores da flexibilização das regulamentações.
Fontes relataram que a Casa Branca e o Departamento de Justiça enfrentaram pressão crescente da indústria da cannabis para aprovar a mudança na classificação da substância. Enquanto um plano para avançar com a medida estava sendo finalizado, alguns esperavam divulgar os esforços em 20 de abril, um dia significativo para os entusiastas da maconha, mas foram informados de que isso seria inadequado.
Contestações e Opiniões
O esforço renovado para a reclassificação provavelmente enfrentará contestações judiciais rápidas de críticos que argumentam que a mudança poderia incentivar o uso recreativo de uma droga prejudicial. A organização Smart Approaches to Marijuana, que se opõe à legalização da maconha, anunciou que tomará medidas legais imediatas contra a ordem, afirmando que a decisão promove os interesses de uma indústria que visa o lucro com o vício.
Apesar das contestações, a flexibilização das restrições em torno da maconha é amplamente apoiada. Uma pesquisa do Pew Research Center de 2024 revelou que quase seis em cada dez americanos são favoráveis à legalização da cannabis para uso recreativo.
Kim Rivers, CEO da empresa de cannabis Trulieve, expressou gratidão a Trump e Blanche por cumprirem a promessa de reclassificar a cannabis, destacando que essa abordagem garante uma reclassificação rápida e completa.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



