Tiranossauro rex tinha sangue quente, revelam dentes fossilizados

Estudo com esmalte de dentes fossilizados revela que o T. rex tinha temperatura corporal mais baixa que a de aves atuais.

17/09/2026 04:51

3 min

O pesquisador da UCLA, Robert Eagle, segura um dente de Tiranossauro rex, em Los Angeles, Califórnia, EUA 16 de setembro de 2026
O pesquisador da UCLA, Robert Eagle, segura um dente de Tiranoss...

Um dos maiores predadores que já existiu na Terra, o Tiranossauro rex, tinha sangue quente, mas sua temperatura corporal era mais baixa do que a de aves e mamíferos modernos. A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e do Museu de História Natural do Condado de Los Angeles, que analisaram a composição química do esmalte de dentes fossilizados do dinossauro.

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O estudo, que lança nova luz sobre o metabolismo dos dinossauros, utilizou uma técnica chamada “isótopos agrupados” para medir a temperatura corporal do T. rex. A análise revelou que o animal mantinha o corpo aquecido internamente, mas com uma temperatura na extremidade inferior da faixa dos endotérmicos — bem diferente dos 42°C registrados em pequenas aves voadoras atuais.

O que os dentes revelaram sobre o metabolismo do T. rex

Os dentes foram a chave para a descoberta. “O esmalte manchado se forma dentro do animal à temperatura do corpo; portanto, a composição química do esmalte funciona como uma tabela”, explicou Aradhna Tripati, coautora do estudo. A proporção de isótopos de carbono e oxigênio presentes no esmalte permitiu calcular a temperatura corporal do animal.

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Para a pesquisa, os cientistas usaram uma broca rotativa de baixa velocidade com ponta de carboneto de tungstênio. O método minimamente destrutivo coletou cerca de 5 miligramas de pó de esmalte — menos que uma pitada de sal — de cada dente. O Museu de História Natural do Condado de Los Angeles cedeu dois dentes de um T. rex apelidado de Thomas e um dente parcial isolado de um segundo tiranossauro, ambos encontrados no Condado de Carter, em Montana.

Os pesquisadores também analisaram cinco dentes de crocodilídeos da mesma formação rochosa. A temperatura corporal média registrada nesses répteis foi de 30,9°C, alinhada com os crocodilos modernos e inferior à do tiranossauro.

As vantagens e o custo de ter sangue quente

Robert Eagle, geobiólogo da UCLA e coautor do estudo, explicou que a endotermia — a capacidade de manter o sangue quente— oferece vantagens como energia e resistência sustentadas, além de permitir que o animal viva em climas frios. “No entanto, ela tem um custo”, afirmou Eagle. “Taxas metabólicas mais elevadas significam maior necessidade de alimento e, ambientalmente, uma caça mais ativa para obtê – lo.”

Segundo o pesquisador, um T. rex endotérmico teria que obter significativamente mais alimento para sustentar seu metabolismo elevado. “Mas também seria capaz de uma atividade mais sustentada para encontrar comida, migrar e viver em ambientes mais frios”, completou. Aves e mamíferos são endotérmicos, e todos os dinossauros carnívoros fazem parte de uma linhagem chamada terópodes — da qual as aves evoluíram.

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Apesar da descoberta, os cientistas fazem ressalvas ao generalizar o resultado para outros dinossauros. “Em relação a outros dinossauros, eu teria cautela ao generalizar”, disse Tripati. “Trata – se de uma espécie única, e as evidências entre os dinossauros apontam para uma variedade de estratégias, em vez de uma resposta única.”

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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