Morcego ‘vampiro’ morde e suga sangue de morador na Ilha Grande, no Rio

Caso reacende alerta sobre risco de transmissão de raiva e foi detalhado em estudo da UERJ.

16/09/2026 21:53

4 min

A transmissão da raiva dos morcegos aos humanos, apesar de ser rara no Brasil, tem sido analisada por estudiosos
A transmissão da raiva dos morcegos aos humanos, apesar de ser r...

Um ataque raro de morcego hematófago a um morador na Ilha Grande, litoral sul do Rio de Janeiro, reacendeu o alerta de pesquisadores sobre os riscos de transmissão da raiva dos morcegos aos humanos. O caso, ocorrido em março de 2024, foi detalhado em um estudo da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), publicado na revista científica Scielo, que analisa as consequências e os desafios para a profilaxia da raiva humana.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O incidente aconteceu no dia 17 de março de 2024, na Praia do Mangue, ao lado da praia de Pouso, na Ilha Grande, município de Angra dos Reis. Um morador de 33 anos foi vítima de espoliação sanguínea: o morcego hematófago mordeu e sugou o sangue do homem, causando um ferimento no dedo do pé.

Segundo o relato da vítima, ele não sentiu dor e só percebeu o ocorrido ao notar a quantidade de sangue no chão. Colegas alertaram que a lesão poderia ter sido causada por um morcego.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Profilaxia e assistência médica

Imediatamente após o ocorrido, as medidas de profilaxia foram iniciadas no posto de saúde da Ilha Grande. O paciente foi então encaminhado ao posto de saúde no continente, também em Angra dos Reis. Os órgãos competentes prestaram a assistência necessária, e o homem seguiu o protocolo de tratamento, que incluiu a vacinação pós – exposição.

O Brasil é o país americano com o maior número de casos de raiva, mas a transmissão por morcegos a humanos é considerada rara. A vigilância da raiva animal é conduzida pelo Ministério da Saúde, e toda a profilaxia, incluindo vacinação pré e pós – exposição, é gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS.

As vacinas são aplicadas em Clínicas da Família, enquanto o soro – antirrábico e a imunoglobulina são distribuídos em hospitais da rede pública.

O ataque e a diversidade de espécies

O morcego hematófago pertence a um grupo de vertebrados parasitos com apenas três espécies viventes entre as mais de 1.470 espécies da ordem Chiroptera. As espécies conhecidas são Desmodus rotundus (Geoffroy, 1810), Diaemus youngii (Jentink, 1893) e Diphylla ecaudata (Spix, 1823), todas se alimentam exclusivamente de sangue de animais, com distribuição do norte da Argentina ao norte do México.

Leia também

Estudos recentes indicam que o morcego – vampiro – comum, D. rotundus, não é o único a se alimentar de mamíferos. As espécies D. ecaudata e D. youngii, antes associadas exclusivamente a aves, também podem se alimentar de mamíferos, inclusive humanos. Na região da Ilha Grande, são conhecidas 37 espécies de morcegos, sendo um dos locais do estado do Rio de Janeiro com maior riqueza e abundância desses animais. Em 2015 e 2017, já haviam sido reportados ataques a cães e galinhas na Vila Dois Rios, também na Ilha Grande.

Captura e análise dos animais

Para o estudo, a captura dos morcegos foi realizada no dia 1º de abril de 2024, com redes de neblina. Todos os animais capturados foram analisados e devolvidos à natureza após numerações. O morcego hematófago responsável pelo ataque foi capturado, eutanasiado e teve uma amostra do encéfalo congelada, encaminhada ao Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman.

Lá, foi realizado o exame de Imunofluorescência Direta (IFD) para diagnóstico da presença do vírus rábico, seguindo o protocolo estabelecido pelo Brasil.

No município de Angra dos Reis, entre 2021 e 2023, foram registrados três casos de raiva em morcegos e um caso em bovino, segundo dados do SIRVER (2025). Já o Ministério da Agricultura e Pecuária, entre 2014 e 2023, registrou 174 casos de raiva em animais para o estado do Rio de Janeiro, a maioria em bovinos.

Apesar da raridade dos ataques a humanos, os pesquisadores alertam que a presença dessas espécies em áreas rurais e urbanas, impulsionada por mudanças ambientais, pode favorecer o consumo de sangue humano e de animais domésticos, como cães, representando um desafio à vigilância em saúde.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!