STF pode mudar regras de delação premiada e limitar acordo de Vorcaro

Relator da ADPF 919, Alexandre de Moraes liberou para julgamento ação que pode mudar as regras das delações e afetar o acordo do fundador do Banco Master

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Foto: Reprodução

STF avalia mudanças em acordos de delação premiada

Uma ação em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) pode resultar em alterações significativas nas regras que regem as delações premiadas, além de impor limites ao acordo com o fundador do Banco Master. A discussão ganhou força após o ministro Alexandre de Moraes, relator da Ação de Descumprimento de Princípio Fundamental (ADPF) 919, liberar para votação no plenário, ainda sem data definida.

A ADPF foi apresentada em 2021 com o objetivo de proteger garantias individuais na celebração de delações.

Limites e restrições propostas

Uma das principais propostas da ADPF é estabelecer que, caso a Justiça determine que a prisão de um colaborador foi ilegal, toda a delação premiada e as provas obtidas por meio dela serão desconsideradas. Atualmente, a legislação não oferece clareza sobre a invalidade de uma prisão, apenas sugerindo que essa ilegalidade pode afetar a colaboração.

A ação também propõe restrições aos benefícios concedidos aos colaboradores, como a proibição de estender vantagens a familiares, limitar os benefícios aos crimes específicos do caso e impedir a concessão de imunidade ampla em outras investigações.

Outro ponto crucial é a possibilidade de os delatados questionarem o acordo em si, e não apenas medidas como buscas e prisões, como ocorre atualmente. Essa mudança poderia tornar as negociações mais complexas e restritivas. A proposta também visa garantir que dados como mensagens e e-mails obtidos de terceiros só possam ser utilizados pelo colaborador mediante autorização judicial específica.

Pen drive com informações de Vorcaro é apresentado

Na terça-feira, 5 de maio de 2026, a defesa de Vorcaro entregou à Procuradoria Geral da República e ao STF um pen drive contendo os anexos da delação premiada do ex-banqueiro. O material reúne os fatos que o empresário pretende relatar às autoridades.

Após a análise das instituições, caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso, decidir se homologa a delação.

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A delação premiada é um acordo em que o investigado se compromete a fornecer informações relevantes para as investigações em troca de benefícios legais, caso o conteúdo seja validado pelas autoridades. A entrega dos anexos não significa que o acordo foi fechado, pois o material ainda precisa ser analisado pelas autoridades responsáveis pela investigação.

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