Solidão não reduz a vida, mas tira até 5,8 anos sem doenças mentais, mostra pesquisa

Estudo da Universidade de Tulane com pessoas de 50 anos aponta perdas maiores entre homens; nas mulheres, são 3,7 anos sem depressão ou ansiedade.

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A solidão foi tratada por muito tempo como uma questão exclusivamente emocional.

Cerca de metade dos adultos americanos sofre de solidão, e quase o mesmo percentual vive socialmente isolado, segundo um estudo divulgado pela revista científica Science Daily no início de outubro. Intitulada “A solidão pode roubar quase 6 anos de boa saúde”, a análise mostra que os dois problemas são generalizados nos Estados Unidos.

O impacto vai além do bem-estar. Pesquisadores da Escola de Medicina Pública e Tropical Celia Scott Weatherhead da Universidade de Tulane associaram a solidão e o isolamento social à perda de quase seis anos de vida livre de transtornos mentais como depressão e ansiedade. Para os autores, as duas condições seguem negligenciadas como questões urgentes de saúde pública.

Homens perdem 5,8 anos sem transtornos mentais aos 50

O estudo comparou pessoas de 50 anos que viviam ao mesmo tempo solidão e isolamento social com outras que não enfrentavam nenhuma das duas situações. Entre os homens, a diferença chegou a 5,8 anos a menos de vida livre de transtornos mentais e 1,7 ano a menos sem as doenças físicas avaliadas.

Nas mulheres, a perda foi de 3,7 anos de vida livre de transtornos mentais e de 2,4 anos sem as doenças físicas analisadas.

“Esses números não significam necessariamente viver menos, mas passar menos anos da vida sem desenvolver as doenças investigadas”, explica a psiquiatra Elaine Bida.

Como a solidão afeta o organismo?

De acordo com Elaine, a solidão prejudica a saúde por dois caminhos que se reforçam: alterações biológicas e mudanças de comportamento. Quando persistente, ela pode manter o corpo em alerta contínuo, como se a pessoa estivesse sempre diante de uma ameaça.

“Esse processo pode provocar alterações na produção de cortisol, o hormônio relacionado ao estresse, além de favorecer processos inflamatórios e alterações no funcionamento do sistema imunológico. Com o tempo, essas mudanças podem contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e metabólicas”, afirma a psiquiatra.

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Os hábitos também mudam. “Pessoas que se sentem solitárias podem dormir pior, praticar menos atividades físicas, alimentar-se de maneira inadequada e apresentar maior dificuldade para manter os cuidados com a própria saúde”, diz.

De questão emocional a problema de saúde física

Por muito tempo, a solidão foi vista apenas como um tema emocional. Hoje, já é entendida como um comportamento capaz de interferir no funcionamento do organismo, afetando a resposta ao estresse, o sistema imunológico e a saúde cardiovascular.

A boa notícia, segundo a especialista, é que a condição e seus impactos são reversíveis. Os resultados, porém, variam de pessoa para pessoa e dependem das intervenções adotadas.

“Não basta simplesmente incentivar alguém a sair de casa ou frequentar ambientes movimentados. As intervenções psicológicas, especialmente aquelas que ajudam a modificar pensamentos negativos sobre si mesmo e sobre os relacionamentos, podem contribuir para reconstruir a confiança, fortalecer a autoestima e desenvolver habilidades sociais”, afirma Elaine.

A psiquiatra também recomenda atividades físicas, participação comunitária e oportunidades de convivência, sobretudo quando favorecem relações verdadeiramente significativas.

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