Solidão: O Impacto Surpreendente no Tratamento de Pacientes com Câncer Idosos

A solidão se revela um grave fator de risco para pacientes com câncer, especialmente os idosos. Descubra como o isolamento impacta a saúde e o tratamento!

22/04/2026 06:46

3 min

Solidão: O Impacto Surpreendente no Tratamento de Pacientes com Câncer Idosos
(Imagem de reprodução da internet).

Solidão como Fator de Risco em Pacientes com Câncer

A solidão tem se mostrado um fator de risco significativo para pacientes com câncer, especialmente entre os idosos. Um consenso internacional, publicado recentemente em uma revista científica, revelou que o isolamento social afeta diretamente a sobrevida, a intensidade dos sintomas e a adesão ao tratamento oncológico desse grupo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O estudo, que contou com a participação de 40 especialistas de 14 países, caracteriza a solidão como uma experiência subjetiva negativa, resultante da diferença entre as relações sociais desejadas e as que realmente existem. No contexto da oncologia geriátrica, essa lacuna pode ter consequências fatais.

De acordo com o artigo, a solidão é um preditor independente de mortalidade, afetando mecanismos biológicos como a inflamação sistêmica e a resposta imunológica, que são prejudicados pelo estresse crônico. No consultório, o isolamento cria uma barreira invisível, mas persistente, que pode comprometer os resultados do tratamento.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A oncologista Patrícia Taranto, do Einstein Hospital Israelita, observa que, quando o paciente começa a perder a motivação devido à solidão, isso pode impactar significativamente sua percepção sobre a doença e os objetivos do tratamento.

Consequências da Solidão no Tratamento

Como resultado, muitos pacientes entram em um ciclo de negligência. Taranto explica que, muitas vezes, eles não compreendem que o tratamento pode levar a uma melhora, pois carecem de motivação, logística ou mesmo força física para manter consultas regulares e realizar exames.

Leia também

A interrupção do acompanhamento adequado pode resultar em piora na qualidade de vida e aumento do risco de morte.

Embora solidão e depressão sejam frequentemente confundidas, elas são condições distintas. A solidão refere-se a uma experiência emocional ligada à percepção de insuficiência nas relações sociais, enquanto a depressão envolve sintomas persistentes, como baixa autoestima e anedonia.

O psiquiatra e psicogeriatra Marcus Kiiti Borges, membro do departamento de Psicogeriatria da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), destaca que a solidão está frequentemente associada à perda de relações sociais devido a eventos adversos, como a morte de entes queridos e problemas de saúde que limitam a mobilidade.

Impactos Físicos da Solidão

O isolamento prolongado pode desregular o eixo neuroimunoendócrino, elevando os níveis de cortisol e intensificando processos inflamatórios, como o aumento de interleucinas, que são essenciais para o sistema imunológico. Esse efeito é particularmente crítico em pacientes oncológicos, cuja imunidade já está comprometida.

O consenso aponta que o impacto da solidão é ainda mais grave em indivíduos que enfrentam vulnerabilidades adicionais, como pobreza e residências em áreas rurais, onde a distância dos centros de referência e o declínio funcional da idade dificultam o acesso ao tratamento.

Abordagem Multidisciplinar para o Cuidado

Para mudar essa realidade, os autores do artigo propõem uma abordagem multidisciplinar que envolva profissionais de diversas áreas, como oncologistas, geriatras, psicólogos e assistentes sociais. Entre as estratégias práticas para combater o isolamento, destacam-se a criação de grupos de apoio presenciais, que promovem a troca de experiências e reduzem a sensação de solidão; a prática de atividades físicas em equipe, que associa benefícios fisiológicos ao engajamento social; e visitas domiciliares, fundamentais para pacientes com mobilidade reduzida.

O contato humano é essencial para promover empatia e cuidado, contribuindo para uma possível melhora na saúde mental do paciente. Dessa forma, ele se sente mais apoiado, o que pode aumentar sua adesão e motivação durante o tratamento e ao longo de sua jornada oncológica, conclui a oncologista do Einstein.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!