Soja em alta na Bolsa de Chicago: o que esperar do novo acordo comercial?

Os preços futuros da soja disparam na Bolsa de Chicago, com alta de 3,06%. Descubra o que impulsionou essa recuperação e as expectativas do mercado!

19/05/2026 01:56

3 min

Soja em alta na Bolsa de Chicago: o que esperar do novo acordo comercial?
(Imagem de reprodução da internet).

Alta nos Preços Futuros da Soja na Bolsa de Chicago

Os preços futuros da soja encerraram a sessão desta segunda-feira (18) com uma expressiva alta na Bolsa de Chicago. O contrato com entrega em julho subiu 3,06%, fechando a US$ 12,1300 por bushel. De acordo com a análise da Agrinvest, o complexo soja conseguiu recuperar parte das perdas observadas na última sexta-feira (15), impulsionado pela repercussão de um novo acordo comercial.

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O mercado voltou a operar em níveis próximos aos de março, após o anúncio de um pacote adicional de compras agrícolas dos Estados Unidos pelos chineses. A consultoria ressaltou que os US$ 17 bilhões anuais em compras extras de produtos agrícolas dos EUA podem ser direcionados não apenas para soja, mas também para milho, trigo, carnes e outros itens.

Ainda assim, a avaliação indica que a soja americana continua pouco competitiva no curto prazo, devido às margens negativas da indústria chinesa e aos preços mais altos do grão nos Estados Unidos. Segundo a consultoria Royal Rural, as 25 milhões de toneladas do acordo representam entre US$ 10 bilhões e US$ 12 bilhões anuais em soja, dependendo do preço do grão.

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Com os novos volumes, o fluxo comercial agrícola entre os dois países pode alcançar entre US$ 27 bilhões e US$ 29 bilhões anuais. O mercado agora busca identificar quais produtos irão compor esses US$ 17 bilhões adicionais, com expectativa de aumento nas compras chinesas de milho, sorgo, DDGs, algodão, carnes e soja norte-americana.

Apesar da forte reação positiva em Chicago, a Royal Rural observa que ainda há exagero nos contratos de curto prazo. Isso se deve ao fato de que a China não deve aumentar significativamente as compras de soja dos EUA antes da nova safra americana, que começa em outubro.

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Além disso, a tarifa adicional de 10% imposta pela China sobre produtos agrícolas dos Estados Unidos permanece em vigor.

Para o Brasil, a alta em Chicago pode oferecer um suporte momentâneo aos preços internos da soja. Contudo, a consultoria alerta que o acordo entre China e EUA pode reduzir a competitividade brasileira no médio prazo, especialmente nos prêmios de exportação.

A Royal Rural afirma que qualquer aumento nas compras chinesas nos Estados Unidos tende a diminuir a demanda pelo grão brasileiro.

Milho e Trigo em Alta na Bolsa de Chicago

Os preços futuros do milho também encerraram a sessão em forte alta na Bolsa de Chicago. O contrato para entrega em julho subiu 4,66%, fechando a US$ 4,7700 por bushel. Segundo a análise da Agrinvest, o mercado reagiu às expectativas de um cenário mais apertado de oferta nos Estados Unidos.

A consultoria destaca que a redução da área plantada e a previsão de menor produção em relação à safra anterior, somadas ao possível aumento das exportações norte-americanas, podem pressionar os estoques do cereal nos próximos meses. O movimento foi influenciado pela repercussão do novo acordo comercial entre China e Estados Unidos, que prevê compras adicionais de produtos agrícolas americanos.

Para o trigo, o contrato futuro com entrega em julho avançou 4,52%, fechando a US$ 6,6450 por bushel. A análise da Agrinvest aponta que o mercado continua sustentado pelas preocupações com o clima adverso nos Estados Unidos, que afetou severamente a produção do trigo de inverno no país.

A consultoria ressalta que, apesar dos estoques globais ainda serem confortáveis, uma possível ampliação da demanda pela safra americana pode oferecer suporte adicional às cotações do cereal nos próximos meses.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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