Soja em alta na Bolsa de Chicago: o que esperar do novo acordo comercial?

Alta nos Preços Futuros da Soja na Bolsa de Chicago
Os preços futuros da soja encerraram a sessão desta segunda-feira (18) com uma expressiva alta na Bolsa de Chicago. O contrato com entrega em julho subiu 3,06%, fechando a US$ 12,1300 por bushel. De acordo com a análise da Agrinvest, o complexo soja conseguiu recuperar parte das perdas observadas na última sexta-feira (15), impulsionado pela repercussão de um novo acordo comercial.
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O mercado voltou a operar em níveis próximos aos de março, após o anúncio de um pacote adicional de compras agrícolas dos Estados Unidos pelos chineses. A consultoria ressaltou que os US$ 17 bilhões anuais em compras extras de produtos agrícolas dos EUA podem ser direcionados não apenas para soja, mas também para milho, trigo, carnes e outros itens.
Ainda assim, a avaliação indica que a soja americana continua pouco competitiva no curto prazo, devido às margens negativas da indústria chinesa e aos preços mais altos do grão nos Estados Unidos. Segundo a consultoria Royal Rural, as 25 milhões de toneladas do acordo representam entre US$ 10 bilhões e US$ 12 bilhões anuais em soja, dependendo do preço do grão.
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Com os novos volumes, o fluxo comercial agrícola entre os dois países pode alcançar entre US$ 27 bilhões e US$ 29 bilhões anuais. O mercado agora busca identificar quais produtos irão compor esses US$ 17 bilhões adicionais, com expectativa de aumento nas compras chinesas de milho, sorgo, DDGs, algodão, carnes e soja norte-americana.
Apesar da forte reação positiva em Chicago, a Royal Rural observa que ainda há exagero nos contratos de curto prazo. Isso se deve ao fato de que a China não deve aumentar significativamente as compras de soja dos EUA antes da nova safra americana, que começa em outubro.
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Além disso, a tarifa adicional de 10% imposta pela China sobre produtos agrícolas dos Estados Unidos permanece em vigor.
Para o Brasil, a alta em Chicago pode oferecer um suporte momentâneo aos preços internos da soja. Contudo, a consultoria alerta que o acordo entre China e EUA pode reduzir a competitividade brasileira no médio prazo, especialmente nos prêmios de exportação.
A Royal Rural afirma que qualquer aumento nas compras chinesas nos Estados Unidos tende a diminuir a demanda pelo grão brasileiro.
Milho e Trigo em Alta na Bolsa de Chicago
Os preços futuros do milho também encerraram a sessão em forte alta na Bolsa de Chicago. O contrato para entrega em julho subiu 4,66%, fechando a US$ 4,7700 por bushel. Segundo a análise da Agrinvest, o mercado reagiu às expectativas de um cenário mais apertado de oferta nos Estados Unidos.
A consultoria destaca que a redução da área plantada e a previsão de menor produção em relação à safra anterior, somadas ao possível aumento das exportações norte-americanas, podem pressionar os estoques do cereal nos próximos meses. O movimento foi influenciado pela repercussão do novo acordo comercial entre China e Estados Unidos, que prevê compras adicionais de produtos agrícolas americanos.
Para o trigo, o contrato futuro com entrega em julho avançou 4,52%, fechando a US$ 6,6450 por bushel. A análise da Agrinvest aponta que o mercado continua sustentado pelas preocupações com o clima adverso nos Estados Unidos, que afetou severamente a produção do trigo de inverno no país.
A consultoria ressalta que, apesar dos estoques globais ainda serem confortáveis, uma possível ampliação da demanda pela safra americana pode oferecer suporte adicional às cotações do cereal nos próximos meses.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



