Restauração Florestal no Brasil: Estudo revela falhas graves no monitoramento da fauna

Análise sobre Restauração Florestal e Monitoramento de Fauna
A pesquisa intitulada “Incorporação de Fauna em Projetos de Restauração Florestal nos Biomas Brasileiro”, realizada pela Proteção Animal Mundial, revelou que nenhum dos programas e editais de restauração florestal analisados pela ONG exige o monitoramento da fauna como critério obrigatório.
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Rodrigo Gerhardt, gerente de Vida Silvestre da Proteção Animal Mundial, destaca que “nosso relatório mostra uma contradição grave nas políticas de restauração florestal no Brasil: analisamos 17 programas que totalizam mais de R$ 685 milhões, e nenhum deles exige monitoramento de fauna”.
A pesquisa, que foi divulgada em primeira mão pela CNN Brasil, indica que apenas 12,5% dos editais mencionam a fauna, e mesmo assim de maneira genérica, sem protocolos ou indicadores mensuráveis. As referências à fauna aparecem em termos como “biodiversidade” ou “serviços ecossistêmicos”, mas sem uma aplicação prática em critérios de avaliação.
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Entre os editais analisados estão programas do BNDES, CNPq e Fapesp.
Impacto da Fauna na Restauração de Ecossistemas
De acordo com a análise, o “peso médio” da fauna nos critérios de avaliação dos projetos é zero. A restauração de um ecossistema florestal implica reativar os processos ecológicos que permitem ao sistema desenvolver trajetórias autossustentáveis, sendo que muitos desses processos são realizados por animais.
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Nesse contexto, a defaunação, que é a extinção funcional de populações animais em escala local e regional, é considerada um dos principais fatores de degradação ecossistêmica global.
O sistema ecológico mais impactado pela defaunação é a zoocoria, um processo essencial para a diversidade florística e para o recrutamento de espécies de alto valor econômico e climático.
Dados sobre Dispersão de Sementes
Segundo os dados do estudo, entre 80% e 90% das sementes que chegam ao solo das florestas tropicais são dispersadas por animais. Além disso, entre 70% e 80% das árvores brasileiras dependem da fauna para esse processo. Rodrigo Gerhardt afirma que “isso acontece apesar de a ciência já ter demonstrado que até 90% das árvores tropicais dependem de animais para dispersar sementes e que florestas defaunadas armazenam até 40% menos carbono”.
Atualmente, os editais analisados exigem 100% de indicadores de cobertura vegetal e 75% incluem métricas de carbono. A chamada “penalidade de carbono por defaunação” ocorre porque espécies vegetais com sementes grandes possuem maior densidade de madeira e, consequentemente, maior capacidade de sequestro de carbono.
Sem a presença de animais, as árvores plantadas produzem frutos que caem sob suas próprias copas, resultando em florestas que podem crescer, mas não conseguem se regenerar plenamente, tornando-se florestas vazias.
Vantagens da Inclusão da Fauna nos Projetos
Os projetos que incorporam a fauna apresentam uma regeneração natural até 40% mais rápida. As técnicas utilizadas não requerem equipamentos complexos e podem empregar tecnologias acessíveis, como armadilhas fotográficas, gravadores automatizados e aplicativos de ciência cidadã.
Segundo o relatório, isso elevaria os custos dos projetos em apenas 3% a 8%.
Diante desse cenário, o estudo da Proteção Animal Mundial apresenta cinco recomendações: tornar obrigatório o monitoramento de fauna nos editais de financiamento; atualizar o arcabouço normativo federal; integrar o Planaveg à dimensão faunística; criar protocolos de cooperação entre a restauração florestal e o sistema Cetas/Cras; e incluir a fauna nos mecanismos de precificação de carbono e biodiversidade.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



