China revalida frigoríficos dos EUA, mas Brasil se mantém forte no mercado de carne bovina

China renova habilitação de frigoríficos dos EUA para exportação de carne bovina
A China revalidou a autorização de mais de 400 frigoríficos dos Estados Unidos para a exportação de carne bovina, habilitações que estavam expiradas há anos. Apesar dessa decisão, especialistas do setor de proteínas acreditam que o Brasil manterá uma posição vantajosa no curto prazo, impulsionado pelo preço competitivo da carne brasileira e pela demanda chinesa ainda aquecida.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O impacto direto no mercado brasileiro tende a ser limitado.
Os Estados Unidos não estão conseguindo utilizar plenamente a cota de 164 mil toneladas que podem ser enviadas à China sem taxas. Nos dois primeiros meses de 2026, os norte-americanos exportaram apenas 540 toneladas. Em comparação, a cota do Brasil é de 1 milhão e 100 mil toneladas.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Acordo entre EUA e China e impactos no agronegócio brasileiro
Após a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, a Casa Branca anunciou que o governo chinês se comprometeu a adquirir pelo menos 17 bilhões de dólares em produtos até 2028. Esse valor não inclui os compromissos de compra de soja firmados em outubro do ano anterior, que preveem 25 milhões de toneladas anuais.
Além disso, o governo dos EUA informou a criação de um conselho de comércio e outro de investimento entre os dois países.
Leia também
De acordo com o governo brasileiro, a relação comercial entre as duas potências não deve afetar o agronegócio nacional. A análise do Palácio do Planalto indica que, no curto prazo, a capacidade de exportação dos EUA depende do excedente da produção interna.
Novas regras para antimicrobianos na produção animal
O Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil publicou uma portaria que endurece as normas sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. Essa medida é uma resposta à União Europeia, que excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco.
Em comunicado, o ministério destacou que a ação reforça o compromisso do governo no combate à resistência aos antimicrobianos e que as práticas nacionais já estão alinhadas às recomendações internacionais.
A decisão da União Europeia provocou uma forte reação entre exportadores, frigoríficos e entidades do agronegócio, especialmente após a implementação do Acordo de Livre Comércio entre o bloco europeu e o Mercosul neste mês.
Projeto suspende cobranças de produtores afetados por fenômenos climáticos
A Comissão de Agricultura e Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural aprovou um projeto de lei que suspende, por três anos, a cobrança de financiamentos e empréstimos agrícolas de produtores rurais afetados por fenômenos climáticos extremos, como o El Niño, secas severas ou enchentes.
A proposta abrange linhas de crédito como Pronaf, Pronamp, financiamentos do BNDES e do Banco do Brasil.
O texto ainda precisa passar por outras comissões, mas ganhou força diante da previsão de um novo El Niño e do aumento das chances de perdas no campo. O boletim da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos aponta 80% de probabilidade de que o fenômeno se consolide no segundo semestre, com possibilidade de um super El Niño.
No Brasil, os efeitos variariam conforme a região: no centro-norte, a expectativa é de déficit hídrico e estresse térmico nas lavouras, enquanto no sul do país, os produtores devem enfrentar chuvas excessivas.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



