Senador Flávio Bolsonaro pede adiamento das tarifas dos EUA

Senador pede ao USTR adiamento de 180 dias das tarifas, alegando que elas beneficiariam Lula no ano eleitoral.

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O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro | Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro enviou um pedido oficial ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Ele solicitou o adiamento por 180 dias das tarifas e alegou que a medida poderia beneficiar politicamente o presidente Lula, especialmente em ano eleitoral.

Essa ação faz parte de uma série mais ampla: os ataques ao Pix, a revogação de vistos de autoridades brasileiras e a aplicação de sanções da Lei Magnitsky teriam sido estimulados pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

O objetivo seria evitar a condenação de Jair Bolsonaro no processo da trama golpista.

A estratégia política dos bolsonaristas

Para Mateus Albuquerque, cientista político e professor na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a manobra adotada pela família é equivocada em sua execução, mas faz sentido dentro do contexto ideológico que eles representam: o cálculo interno apontava para prejudicar a imagem do governo Lula ao “sangrar” economicamente o Brasil.

“O eleitor brasileiro muitas vezes tem dificuldade de atribuir culpa. Por isso,” explica Albuquerque, citando estudos sobre comportamento eleitoral no país, “se algo não funciona — como uma escola local —, tende-se culpar diretamente quem está à frente da administração.”

A falha na previsão e nos cálculos

Por outro lado, segundo Mateus Albuquerque, houve um erro estratégico também por parte dos apoiadores bolsonaristas em relação às expectativas internacionais; eles pareciam ter imaginado que poderiam aplicar ao Brasil a mesma tática conhecida como “diplomacia de baioneta” usada contra outros países.

“Os dois lados estavam errados,” avalia o cientista político. Ele aponta ainda que, para os defensores do “trumpismo”, havia uma visão equivocada sobre o Brasil: consideravam o país subalterno ou com uma economia menos complexa.

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O entendimento da população brasileira

Apesar disso tudo, Albuquerque destaca um ponto crucial ignorado pela família Bolsonaro e seus apoiadores políticos em relação à opinião pública nacional; boa parte tanto dos empresários quanto da burguesia local não endossou a medida tarifária estadunidense de forma positiva.

Na avaliação mais profunda feita pelo especialista, Flávio compreendeu justamente quão errônea foi essa estratégia. Ao perceber que as tarifas agora fortalecem Lula em vez de enfraquecer o governo, ele tentaria conter os danos enquanto prepara terreno para um eventual governo próprio.

O sentimento anti-EUA no Brasil

“A família Bolsonaro testou muito o limite desse sentimento”, alerta Mateus Albuquerque, sobre como eles subestimaram a posição dos brasileiros em relação aos Estados Unidos.

Ele ressalta ainda a particularidade cultural brasileira: “Nós não incorremos tanto em ufanismo. Isso cria, na verdade, um forte senso revanchista”, diz o cientista político, para quem há limites ao poder de influência política externa, mesmo quando articulada por figuras proeminentes.

Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.

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