Senado do Paraguai cassa Peña por 44 votos e Alliana governa até agosto de 2028
Pedro Alliana tomou posse como presidente do Paraguai na sexta-feira (6), depois que o Senado aprovou o impeachment de Santiago Peña em meio à crise política e financeira ligada ao Ueno Bank. Enquanto a cerimônia acontecia no Congresso, o ex-presidente foi detido em sua residência, em Assunção, por determinação das autoridades paraguaias.
A destituição recebeu 44 votos favoráveis, dos 45 senadores que compunham a Casa. Pouco depois da votação, Alliana, que ocupava a Vice-Presidência, prestou juramento perante o Congresso Nacional e deverá concluir o mandato iniciado em 2023, com término previsto para agosto de 2028.
Peña fica em prisão domiciliar e ex-chefe do BCP é detido
A ordem de detenção foi expedida no âmbito das investigações do Ministério Público sobre o caso Ueno Bank. Segundo o jornal paraguaio ABC Color, agentes da Polícia Nacional foram à casa do ex-presidente, notificaram a medida e o colocaram sob custódia, à disposição da Justiça.
A apuração trata de suspeitas de lesão de confiança e de outros possíveis delitos ligados ao colapso da instituição financeira. Além disso, Carlos Carvallo, ex-presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), também teve a prisão decretada pelas autoridades.
Peña rejeita qualquer irregularidade e afirma que o problema envolvendo o banco é de natureza regulatória. Ele havia anunciado sua renúncia na quinta-feira (5), mas os parlamentares decidiram seguir com o processo de impeachment, concluído no dia seguinte.
Crise do Ueno Bank derrubou o presidente
A troca no comando ocorre após o agravamento da crise do Ueno Bank, instituição financeira digital que expandiu rapidamente sua atuação no país nos últimos anos. O Banco Central paraguaio interveio no banco depois de problemas financeiros e de questionamentos sobre operações de crédito e sobre relações com integrantes do poder político.
Clientes ficaram temporariamente sem acesso aos recursos depositados e foram às ruas de Assunção para cobrar ressarcimento e a responsabilização dos envolvidos. Entre os nomes centrais do escândalo está Miguel Vázquez, fundador do Ueno Bank. Ele é empresário ligado ao grupo que controlava a instituição, cujos negócios incluíam relações comerciais com Peña.
O impeachment se apoia em suspeitas de conflito de interesse e de interferência na fiscalização do sistema financeiro. A decisão do Congresso manteve a linha de sucessão prevista na Constituição paraguaia, e a Câmara dos Deputados havia rejeitado, na quinta-feira, um pedido de impeachment contra Alliana.
Alliana promete acelerar compensação aos depositantes
Na cerimônia de posse, Alliana disse que o país enfrenta dificuldades urgentes e prometeu priorizar medidas para atender os cidadãos atingidos pela crise. O novo presidente afirmou que vai acelerar as providências para compensar os depositantes prejudicados pelo colapso do Ueno Bank, sobretudo os grupos mais vulneráveis.
Antonio Barrios ocupa a Vice-Presidência
Ainda durante a sessão do Congresso, os parlamentares escolheram Antonio Barrios para a Vice-Presidência, posto deixado por Alliana. Até então senador pelo Partido Colorado, Barrios foi escolhido por unanimidade e também prestou juramento perante o Congresso.
A nova dupla no Executivo deverá cumprir o mandato constitucional até agosto de 2028. Recuperar a confiança no sistema financeiro, devolver recursos aos clientes do Ueno Bank e garantir a estabilidade política aparecem entre os principais desafios do novo governo.
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