Aplicação de Sarclisa leva 13 minutos com novo injetor, e reações caem de 25% para 1,5%
A Anvisa aprovou um novo modo de uso do isatuximabe, medicamento indicado para o tratamento do mieloma múltiplo. A resolução foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) e permite aplicar o remédio com um dispositivo automatizado e portátil, além das infusões intravenosas e da aplicação subcutânea manual que já estavam liberadas.
O medicamento, de nome comercial Sarclisa, recebeu o primeiro aval da Anvisa em 2021. A novidade inclui o uso do injetor CirCLIQ, desenvolvido para a administração de medicamentos de grande volume. Segundo a farmacêutica Sanofi, o método se baseou em um estudo que não identificou inferioridade em relação às formas de aplicação já consolidadas na prática médica.
Como o novo injetor funciona na aplicação
Pelo novo esquema, a administração depende do on-body injector (OBI), um dispositivo de infusão portátil. Ele traz uma agulha retrátil, mais fina e mais curta que as convencionais.
Um estudo publicado no Journal of Clinical Oncology, da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, na sigla em inglês), registrou que a aplicação levou 13 minutos. Ainda de acordo com o levantamento, 70% dos pacientes disseram estar satisfeitos ou muito satisfeitos com o procedimento.
Ensaio IRAKLIA aponta menos reações na aplicação subcutânea
No mesmo ensaio de fase 3, o IRAKLIA, 25% dos pacientes tratados com infusão apresentaram algum tipo de reação relacionada ao tratamento. Já no grupo que recebeu a aplicação subcutânea com o aparelho, o índice ficou em 1,5%.
“A transição do método intravenoso convencional para a tecnologia do subcutâneo automatizado confere uma redução substancial no tempo de permanência ambulatorial e mitiga os riscos de eventos adversos infusionais, consolidando a evolução da hematologia rumo a tratamentos com melhor perfil de tolerabilidade e menor sobrecarga ao paciente”, explica Vania Hungria, cofundadora da International Myeloma Foundation Latin America e médica hematologista na Clínica São Germano.
“Representa um avanço importante nessa jornada, ao trazer mais conforto e conveniência e contribuir para reduzir o impacto do tratamento no dia a dia de quem vive com mieloma múltiplo”, disse Anne Pradeilles, líder da Unidade de Oncologia na Sanofi Brasil.
O que é o mieloma múltiplo e quais sintomas aparecem
Segundo tipo de câncer de sangue mais comum no mundo, o mieloma múltiplo ainda não tem cura. A doença começa quando o organismo passa a produzir em excesso os plasmócitos, células do sistema imunológico. Elas se acumulam na medula óssea e podem comprometer o funcionamento de órgãos.
Entre os sintomas estão dor nos ossos, anemia, alteração no funcionamento dos rins, fraqueza e infecções recorrentes.
“A expectativa de vida dos pacientes de mieloma múltiplo quintuplicou nos últimos vinte anos. Isso é uma ótima notícia, mas que também gerou um novo desafio: garantir que as pessoas possam viver mais tempo com qualidade. Precisamos tornar a jornada terapêutica menos desgastante para pacientes e familiares”, diz Hungria.
Editoria:
Redação Saúde e Educação
A Redação Saúde e Educação reúne a cobertura do Clique Fatos sobre saúde, bem-estar e educação. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.