Sanções internacionais agravam tragédia dos terremotos na Venezuela

Sanções internacionais impõem obstáculos à recuperação após os terremotos devastadores na Venezuela, com projeção alarmante de desaparecidos.

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Terremotos deixaram milhares de mortos na Venezuela em 2026 | Foto: Reprodução

Os mortos pelos terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira (24) já somam milhares. O presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez, confirmou os números e informou que os feridos passam de 10 mil; já os desaparecidos podem chegar a cerca de 50 mil, segundo projeções da Organização das Nações Unidas (ONU).

A dimensão da tragédia é inédita nos registros recentes do governo venezuelano.

Solidariedade internacional e desafios na resposta

Nas ruas de Caracas e de La Guaira, o clima mistura consternação e atos espontâneos de ajuda. As respostas humanitárias, porém, ainda eram consideradas provisórias dois dias após os tremores.

A ONU reconhece que encontrar todos os desaparecidos e reconstruir a estrutura danificada será um processo longo. Laura Capote, da Secretaria Operativa Continental da ALBA Movimentos, apontou dificuldades adicionais em entrevista ao Brasil de Fato: apesar das diferentes forças atuando no resgate, segundo ela, o povo venezuelano poderia ter melhores condições de resposta.

O problema das sanções econômicas

O problema na Venezuela vai além das ruínas deixadas pelos terremotos: há anos, o país enfrenta sanções que sufocam sua economia, as chamadas Medidas Coercitivas Unilaterais. A manutenção do bloqueio dos Estados Unidos agrava a situação neste momento de crise.

Capote afirma que a perda de capacidade de resposta é consequência direta do bloqueio contra o povo venezuelano. Ela também classificou como hipócritas os sinais vindos de Washington: “Há seis meses, o que Washington fazia era bombardear Caracas sem dar importância às pessoas que morriam nos ataques”, declarou.

Depois dos terremotos, Donald Trump anunciou a suspensão das sanções econômicas por quatro meses, mas a medida vale apenas para transações ligadas ao socorro às vítimas.

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Histórico de bloqueios financeiros

A resposta internacional às punições financeiras ao país se mostrou fragmentada. A União Europeia decidiu, na sexta-feira (26), enviar ajuda para atenuar os efeitos dos tremores, mas manteve suas próprias sanções contra a Venezuela.

As sanções como ferramenta política

As medidas coercitivas não são recentes: desde 2006, os Estados Unidos aplicam uma longa lista de penalidades contra Caracas. Naquele ano, no governo de George W. Bush, foi proibida a venda de armas americanas ao governo de Hugo Chávez. Com o tempo, as punições se ampliaram; no governo de Barack Obama, a Venezuela passou a ser classificada como “ameaça à segurança nacional”, com congelamento de bens e contas do governo.

A reeleição de Nicolás Maduro em 2018 levou Washington a endurecer ainda mais as sanções. Ativos do Estado venezuelano foram bloqueados nos EUA, e a petroleira PDVSA e o Banco Central também foram sancionados.

Impacto econômico das sanções

Segundo levantamento do Global South Insights e do Instituto Tricontinental, com base em pesquisa do atuário Yosmer Arellán, o país perdeu cerca de US$ 226 bilhões em receitas do petróleo a partir de 2017, já que o petróleo respondia pela maior parte das receitas de exportação.

Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.

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