Rússia intensifica provocações contra a Otan com ataques em “zona cinzenta” na Europa

A Rússia intensificou nos últimos dias uma série de provocações contra a Otan na Europa, numa estratégia calculada para testar os limites da aliança militar sem desencadear um conflito aberto. Desde o último domingo (13), uma sequência de incidentes acendeu o alerta entre os países – membros: uma ferrovia que transportava ex – autoridades ocidentais foi alvo de um drone russo; outro equipamento, de provável origem russa, foi abatido na Lituânia; um terceiro apareceu na costa da Polônia; um helicóptero dinamarquês escapou por pouco de ser atingido por um sinalizador russo; e trens na Holanda foram paralisados por um ato de sabotagem ainda não reivindicado.
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Não se trata de coincidência. As ações ocorrem após semanas de alertas de que Moscou planejava uma escalada com a Otan, mas sem necessariamente desejar ou ter condições de sustentar uma guerra convencional contra a maior aliança militar da história.
O presidente russo, Vladimir Putin, teria dois objetivos claros, segundo analistas e diplomatas: aumentar o custo político do apoio europeu à Ucrânia e testar os limites do Artigo 5, cláusula que define que um ataque a um membro da Otan é um ataque a todos.
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Estratégia russa de provocação constante
Para um diplomata europeu que falou sob condição de anonimato, o que se vê hoje é algo que, há poucos meses, teria acionado o Artigo 4 da Otan — que convoca reuniões de emergência em crises. “Agora, está se tornando algo quase diário”, afirmou.
Segundo ele, o objetivo de Moscou é fazer com que a Europa pare de apoiar a Ucrânia, explorando o medo de uma escalada militar.
O grande problema para a Otan, na avaliação de especialistas, é que esses episódios não representam o auge da hostilidade russa, mas apenas suas investidas iniciais. Enquanto isso, um acordo de paz parece distante: os Estados Unidos mostram ineficácia em suas pressões, e Putin segue determinado a conquistar a região oriental de Donbas e, possivelmente, outras partes da Ucrânia.
Produção em massa de drones e nova ameaça
O complexo industrial – militar do Kremlin está oferecendo novas opções de ataque. Os drones russos Geran 4 e 5 são equipados com motores turbojato de fabricação chinesa, que custam cerca de 40 mil dólares (R205 mil). Cada unidade é comercializada por aproximadamente 70 mil dólares (R 360 mil.
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Já o míssil de cruzeiro Banderol pode atingir velocidades de cerca de 600 kmh e custa, segundo relatos, apenas 100 mil dólares (R 513 mil.
Qualquer deficiência dessas armas em precisão é compensada pelo volume massivo de uso. A fábrica de drones em Alabuga está se adaptando rapidamente para inundar as linhas de frente com essas novas ameaças. A Dra. Marina Miron, do Departamento de Estudos de Defesa do Kings College London, afirma que a adaptação em produção, cadeias de suprimentos e doutrina é vital para qualquer estratégia. “A Otan está muito atrás no que diz respeito à prontidão para lidar com essas mudanças”, diz ela. “Não se trata apenas de criar defesas contra drones, mas de repensar toda a doutrina.”
O risco de um erro de cálculo russo
Parte do desafio para os membros da Otan é transmitir a gravidade da ameaça às suas populações sem provocar pânico nem conceder uma vitória psicológica a Moscou. A lista de incidentes cresce desde o fim do verão: um ataque com drone que quase atingiu um aeroporto alemão, um míssil balístico que caiu em campo aberto na Polônia e planos de assassinato citados em denúncias no Distrito Sul de Nova York.
Um alto funcionário europeu observou que, desde a era soviética, os russos teorizam sobre o ajuste flexível de poder e agressão. “Para a Otan, gerir a escalada dessa maneira é algo relativamente novo. Portanto, há lições a serem aprendidas pela aliança”, afirmou.
Ele acrescentou: “Reagir de forma exagerada não é útil, mas oferecer a outra face também não.”
Em algum momento, a Rússia pode cometer um erro de cálculo e forçar um membro da Otan a responder com força. Não seria inédito: na Síria, em 2018, um ataque de mercenários russos do Grupo Wagner contra posições dos EUA provocou uma resposta militar americana feroz.
Quando esse passo em falso ocorrer, a escalada no confronto será algo para o qual nem os militares nem o público da Otan estão preparados. E esse momento parece se aproximar a cada dia.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



