Robson Bonin diz que pauta de Lula ‘parece estelionato eleitoral’ após adiamento

A proposta prevê reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos, mas Davi Alcolumbre aguardará a análise da Câmara antes de levar o tema à votação no Senado.

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O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa durante as comemorações de seu aniversário no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, em Brasília, em 27 de outubro de 2026 | Foto: AFP

O adiamento da votação sobre a redução da maioridade penal no Congresso Nacional gerou preocupação entre aliados de Luiz Inácio Lula da Silva. No VEJA em Foco, o colunista de VEJA Robson Bonin disse que a retirada do tema da pauta expõe a dificuldade do governo em transformar compromissos de campanha em medidas concretas.

Bonin afirmou que Lula havia defendido a proposta durante a campanha eleitoral. “Parece estelionato eleitoral”, declarou o jornalista no programa apresentado por Marcela Rahal.

Davi Alcolumbre decidiu aguardar análise da Câmara

A discussão ganhou força depois que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, deixou de levar à votação a proposta que prevê reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos. Conforme explicado no programa, ele conversou com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e decidiu esperar a análise dos deputados.

O debate ocorreu durante a tramitação da PEC da Segurança Pública, aprovada pelo Senado sem a mudança na idade penal. Para Bonin, o adiamento cria um problema político para Lula, já que o presidente havia assumido o compromisso no segundo turno, quando disputava a eleição com Flávio Bolsonaro.

O colunista avaliou que Lula não demonstrou o mesmo empenho para fazer a proposta avançar no Congresso. “Esse assunto, na verdade, está angustiando muito a base aliada do presidente Lula”, disse.

Bonin critica falta de mobilização de Lula

Na avaliação do jornalista, a distância entre o compromisso eleitoral e a condução da discussão legislativa amplia o desgaste do governo. Ele atribuiu o adiamento a uma decisão política de integrantes da base governista.

“Se houvesse vontade política, esse assunto seria aprovado. Em Brasília, criam-se argumentos para tudo: para votar, para atrasar, para engavetar”, afirmou Bonin.

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O colunista também criticou a falta de manifestações públicas de Lula em defesa da proposta e disse que o presidente não mobilizou senadores governistas. “Ele era tão defensor da agenda que, quando o Congresso começou a discutir, não se viu um discurso, nada que pudesse incentivar a base dos senadores”, declarou.

Governo terá de reorganizar negociações e entregar resultados

Para Bonin, a retirada da pauta não significa necessariamente que a proposta foi abandonada. O governo, segundo ele, precisará encontrar outra forma de retomar o debate, com mais tempo e atenção à maneira como o tema será apresentado à sociedade.

O impasse ocorre em meio à reorganização do governo após a reeleição de Lula. O presidente terá de lidar com mudanças no ministério, substituições de auxiliares e novas negociações com a base parlamentar.

Bonin afirmou que Lula não poderá usar, como no início do mandato em 2023, o argumento da reconstrução do país para justificar a demora nos resultados. “Agora não tem isso. Tem que começar a dar resultado a partir de já”, disse. O colunista concluiu que propostas apresentadas na campanha como simples de executar estão se mostrando mais difíceis do que o discurso eleitoral indicava.

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