Robert Half: 8 em cada 10 recrutadores relatam dificuldade para contratar

O mercado de trabalho brasileiro enfrenta um paradoxo complexo: enquanto as empresas lutam para preencher vagas com profissionais que possuam competências específicas, os próprios desempregados demonstram baixa confiança em relação ao cenário atual.
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Segundo o Índice de Confiança Robert Half (ICRH), levantamento da consultoria divulgou dados preocupantes sobre a dificuldade na contratação e apontou uma crescente seletividade por parte das organizações empregadoras no ano de 2026. O relatório mostra como setores críticos estão exigindo habilidades além do conhecimento técnico tradicional.
Escassez de talentos gera disputa acirrada
A principal barreira enfrentada pelas empresas é encontrar profissionais qualificados com as competências exatas que cada cargo exige, afirma Leonardo Berto, gerente da Robert Half. De acordo com o índice, oito em cada dez recrutadores relatam dificuldade para contratar.
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Berto explica que a desocupação é muito baixa entre trabalhadores com mais de 25 anos e ensino superior completo. Esse cenário eleva drasticamente a disputa por talentos já empregados nos setores mais disputados do mercado corporativo.
A busca vai além da disponibilidade. As empresas também estão mais exigentes quanto ao conjunto de habilidades do candidato. Capacidade adaptativa e potencial de desenvolvimento passaram ganhando relevância junto com os conhecimentos técnicos específicos nas etapas de seleção.
Parte dos 500 gestores ouvidos diz priorizar candidatos com alto potencial, mesmo que ainda não atendam a todos os requisitos da vaga.
Setorização das demandas: onde há maior pressão
A escassez profissional acompanha as grandes transformações tecnológicas em curso dentro das corporações. Na área tecnológica, é notória uma intensa demanda gerada pela digitalização e pelo avanço constante nas áreas como inteligência artificial (IA) e uso inteligente de dados.
Essa corrida exige mais força operacional para infraestrutura tradicional, redes avançadas e segurança da informação robusta.
Segundo Berto, essa transformação gera “uma pressão imediata sobre as bases operacionais”. Outras frentes sob forte tensão são Finanças, Contabilidade e Fiscal; estas precisam lidar com a complexidade regulatória imposta por mudanças estruturais do país, citando os desdobramentos da Reforma Tributária entre elas.
Confiança: Empresas cautelosas versus profissionais
O índice dos recrutadores projeta 42,9 pontos para o próximo semestre, uma melhora em relação aos meses anteriores.
A confiança dos trabalhadores, porém, está bem abaixo. O indicador mostra baixa confiança dos desempregados em conseguir recolocação nos próximos seis meses.
A diferença de perspectiva entre empregador e candidato
Essa discrepância reflete como empresas adotaram maior cautela financeira em função do custo elevado do capital, priorizando posições consideradas críticas para as operações imediatas da companhia. Segundo Berto, os fatores econômicos globais continuam moldando decisões restritivas no momento atual.
Ainda assim, parte dos desempregados diz aceitar propostas de projetos com prazo determinado, para manter a empregabilidade e ganhar experiência.
Sinais sutis de melhora em 2026
Embora os indicadores sigam na zona de pessimismo, abaixo de 50 pontos, houve avanço em relação ao mesmo período do ano anterior.
Na prática, Berto observa sinais de melhora: as empresas retomaram projetos estratégicos e iniciativas de eficiência e de adoção de IA.
Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.
Editoria:
Redação Economia
A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



