Redução da escala laboral pode elevar custos do varejo em até 20%, alerta IDV
Redução nas escalas trabalhistas pode elevar custos do varejo e impactar competitividade nacional já em 2026.
O setor varejista brasileiro pode enfrentar um aumento significativo nos custos operacionais até 20% caso haja uma redução na escala laboral padrão ), alerta Jorge Gonçalves.
Segundo informações divulgadas nesta terça – feira, dia 25, em São Paulo, a preocupação vem de análise feita pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), onde foi apontado como grande desafio à competitividade nacional os possíveis impactos das mudanças nas escalas trabalhistas.
Redução da jornada: o impacto no custo operacional
Jorge Gonçalves detalhou que qualquer alteração significativa na rotina de trabalho dos funcionários representa um risco sério e desestabilizador para as varejistas brasileiras. Ele afirmou categoricamente que “se houver a redução da escala vai ser muito ruim para o varejo”, pois isso causaria diretamente uma elevação nos custos, projetada em pelo menos 20%.
Para o presidente do IDV, essa potencial mudança transforma a mão de obra num ponto extremamente preocupante dentro das contas empresariais. O cenário se torna consideravelmente mais desafiador ainda antes mesmo de considerar os efeitos futuros previstos pelas eleições presidenciais no país.
Desafios macroeconômicos enfrentados pelos lojistas
Além dos riscos trabalhistas, Gonçalves apontou que as lojas físicas e online estão passando por um momento financeiro bastante apertado na atualidade. Ele listou vários fatores negativos para acompanhar esse quadro: juros em níveis elevados há muito tempo; uma necessidade alta de capital empregado pelo setor varejo; além do alto nível geral de inadimplência entre o público consumidor brasileiro.
O presidente também fez menção a outros elementos prejudicando o crescimento da área comercial nacional. Segundo ele, é preciso considerar os impactos econômico – financeiros provenientes das plataformas digitais asiáticas no mercado local.
Impacto dos jogos de azar e comércio internacional
Em seu discurso detalhado, Gonçalves dedicou atenção especial ao impacto financeiro gerado pelos aplicativos de apostas esportivas (bets). Ele calculou que se olharmos para um período anterior em 2025, estima – se uma retenção mensal na casa dos R 30 bilhões, valor esse retirado do fluxo normal circulante não apenas varejo, mas todos setores da economia.
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O especialista também criticou a decisão governamental sobre o imposto importação cross border, conhecido como “taxa das blusinhas”. A medida é vista por ele como prejudicial à manutenção de um ambiente econômico equilibrado e competitivo no Brasil.
Fluxo internacional: saída massiva de produtos
Gonçalves apresentou dados que ilustram essa movimentação comercial em 2026. Ele observou que enquanto havia cerca de 14,5 milhões pacotes mensais entrando pelo canal legalmente estabelecido antes da mudança fiscal (em torno do início dos anos), o volume aumentaria para aproximadamente 15 milhões na data mencionada. Em maio deste ano ocorreu uma elevação expressiva; apenas naquele mês frente à quinzena anterior houve um aumento de (70%) e fechando com a marca recorde de 20 milhões itens vendidos.
Essa tendência se manteve em meses subsequentes. Entre junho e julho, por exemplo, os volumes subiram ainda mais até atingir cerca de 28 milhão pacotes mensais no comércio internacional que está saindo do mercado brasileiro para o exterior.
Risco da concorrência asiática
Diante desse cenário adverso, Jorge Gonçalves manifestou grande preocupação quanto ao interesse das grandes companhias chinesas (asiáticas) nos setores de e – commerce brasileiros. Ele alertou sobre a ambição dessas plataformas estrangeiras com relação à participação nas vendas nacionais. Uma plataforma já listada em bolsa fora do Brasil projetaria vender 45 milhões produtos globalmente e teria como meta capturar 10% total dos negócios realizados no país — um montante que representa US 4,5 bilhões ou quase R 25 bilhão.
Segundo o IDV, essa projeção é considerada “terrível para o varejo”, pois indica uma potencial perda maciça da receita nacional diretamente direcionando recursos de consumo brasileiro ao exterior.”