COP Destrava Lacuna Financeira para Combate à Desertificação em US278 Bilhões

COP Destrava Lacuna Financeira para Combate à Desertificação; Investimentos em Rangelands Flagship Initiative impulsionam metas globais.

25/08/2026 12:32

4 min

As secas já causam prejuízos econômicos significativos e são percebidas pelas lideranças locais como uma ameaça à estabilidade social e política.
As secas já causam prejuízos econômicos significativos e são per...

As negociações da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) avançaram em Ulaanbaatar, na Mongólia, com foco especial nos esforços para proteger e restaurar campos, savanas e áreas de pastagem. Embora o texto tenha aberto caminho para uma possível decisão formal ainda durante a conferência COP 17 — estimulando investimentos e marcos legais —, os negociadores enfrentam dois entraves persistentes que dificultam transformar compromissos políticos em ações concretas: financiamento adequado e consenso político.

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Apesar dos desafios financeiros apontados pela lacuna anual estimada em US 278 bilhões para restauração terrestre – valor coberto atualmente por apenas 6% do setor privado –, houve avanços significativos no reconhecimento da importância das práticas agrícolas positivas como ferramentas cruciais contra terras degradadas, além disso foi apresentada também iniciativas de cooperação entre as três Convenções Rio (desertificação, biodiversidade e clima.

Rangelands Flagship Initiative impulsiona conservação

Um avanço notável durante a COP 17 é o lançamento formal da Rangelands Flagship Initiative. Esta ação propõe um trabalho conjunto em múltiplos parceiros com uma meta ambiciosa: aumentar os investimentos destinados à gestão sustentável e restauração dessas áreas.

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A iniciativa recebeu US 1,2 bilhão iniciais para cobrir mais de 40 projetos no âmbito das pastagems globais. O objetivo vai além do meio ambiente; por intermédio desse esforço coordenado, busca – se também reduzir índices de pobreza e melhorar a segurança alimentar através da sinergia entre conservação da biodiversidade e manejo adequado dos campos naturais.

João Campari, líder global de Alimentação e Agricultura pelo WWF (World Wildlife Fund), ressaltou que o reconhecimento é apenas um primeiro passo na jornada rumo à implementação prática. Segundo ele, avançar exige tanto dentro quanto fora das salas de negociação diplomática: “A priorização desses biomas precisa ser acompanhada urgentemente pela liberação de recursos financeiros”.

Impasse sobre secas e integração climática

Mesmo com os progressos nas áreas rurais, outras questões críticas permanecem sem consenso entre as partes envolvidas em Ulaanbaatar. Um dos pontos mais delicados são as discussões referentes às respostas a eventos extremos como as secas.

O impasse é um tema herdado da COP 16/UNCCD, onde também não foi possível chegar a uma decisão formal unificada para lidar com o problema climático crescente. A divergência principal reside no tipo de protocolo que deve guiar essa resposta: alguns países defendem obrigações legais vinculantes; por outro lado, governos preferenciam modelos voluntários ou estruturas muito mais flexíveis na aplicação das medidas ambientais próprias desenvolvidas pelas regiões e pelos próprios estados membros.

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“As secas estão se tornando progressivamente más frequentes em razão do aquecimento global e consequente degradação dos solos”, alertou Christine Colvin, chefe de Políticas de Água Doce do WWF. Ela enfatizou ainda que adiar uma solução conjunta até a próxima conferência (COP 18) seria um risco inaceitável para o apoio aos locais com maior necessidade desses recursos hídricos.

A importância da cooperação entre os acordos Rio. Outro ponto fundamental na agenda é fortalecer a conexão formalizada das chamadas Convenções do Rio — ou seja, desertificação, biodiversidade e mudanças climáticas —, temas cujas discussões formais sobre integração não haviam começado plenamente no meio desta COP 17.

“Para que se tenha uma visão completa dos debates nesta conferência em Ulaanbaatar”, afirmou Tatiana Oliveira, líder de estratégia internacional pelo WWF – Brasil. Ela argumentou veementemente contra o tratamento isolado desses três pilares ambientais: “Degradação territorial, perda da vida selvagem e alterações climáticas manifestam seus efeitos nos mesmos territórios geográficos”.

A avaliação geral é que qualquer medida adotada para combater a desertificação também pode contribuir significativamente com os compromissos relacionados ao clima ou à biodiversidade — desde que haja coordenação clara entre as agendas propostas por diferentes países.

Enquanto essas negociações diplomáticas avançavam em Ulaanbaatar sobre pastagens degradadas, processos paralelos eram conduzidos pelo Joint Liaison Group. O tamanho do financiamento disponível será o fator determinante de quanto das decisões discutidas poderá sair efetivamente da sala dos negociadores e chegar às áreas mais necessitadas no campo global.”

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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