Rapamicina melhora o fluxo sanguíneo no cérebro de quem tem gene de risco para Alzheimer

Um medicamento usado para impedir a rejeição de órgãos transplantados mostrou resultados animadores em pessoas com maior predisposição genética ao Alzheimer. Depois de quatro semanas de tratamento, pesquisadores da Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, registraram melhora no fluxo sanguíneo cerebral de adultos saudáveis de meia-idade.
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A substância testada é a rapamicina, que também vem sendo estudada por possíveis efeitos sobre o envelhecimento. O ganho apareceu em participantes com a variante genética APOE4, ligada a um risco elevado de desenvolver a doença. Os resultados foram publicados em setembro no Journal of Cerebral Blood Flow & Metabolism.
Rapamicina ainda não comprova proteção contra a doença
Apesar do achado, não há evidências de que a rapamicina previna ou retarde o Alzheimer em seres humanos. Os próprios autores veem o estudo como uma possível porta para intervenções precoces, e nada além disso por enquanto.
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Na prática, a rapamicina é empregada para evitar rejeição de transplantes e para tratar algumas doenças raras. Cientistas também acompanham seu papel no envelhecimento biológico, mas o novo trabalho foi além disso ao observar a circulação cerebral.
Como o estudo foi conduzido com adultos sem sintomas
A pesquisa buscou saber se o remédio conseguiria melhorar o fluxo de sangue no cérebro de pessoas com predisposição genética ao Alzheimer, mas sem sinais da doença. Quem liderou o trabalho foi Ai-Ling Lin, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Missouri.
Antes, Lin já tinha visto, em camundongos com a variante APOE4, melhora no fluxo sanguíneo cerebral e sinais de desaceleração do envelhecimento do cérebro depois do uso da rapamicina. Com isso, a equipe quis testar se algo parecido aconteceria em humanos.
O que mudou no cérebro dos participantes
Os cientistas acompanharam adultos saudáveis entre 45 e 65 anos, tanto portadores da APOE4 quanto pessoas sem essa característica genética. Todos tomaram baixas doses diárias de rapamicina por quatro semanas.
Ao final, a melhora no fluxo sanguíneo cerebral apareceu entre quem tinha a APOE4. Já os participantes sem a variante não apresentaram o mesmo benefício. Ainda assim, o estudo não mostrou se essa melhora conseguiria preservar a memória ou impedir o avanço da doença.
Mulheres com APOE4 tiveram as maiores melhorias
A análise também encontrou diferenças entre homens e mulheres. As mulheres portadoras da APOE4 tiveram os maiores ganhos no fluxo sanguíneo cerebral após o uso da rapamicina.
Segundo Lin, o dado merece atenção, já que esse grupo representa quase dois terços das pessoas que vivem com Alzheimer. A pesquisadora ligou o resultado à medicina de precisão, área que tenta identificar quais pacientes respondem melhor a cada tratamento.
Para ela, características genéticas e outras diferenças entre os participantes podem alterar o efeito do remédio.
Entenda o papel da APOE4 no risco de Alzheimer
A variante APOE4 está associada a maior probabilidade de desenvolver a doença ao longo da vida. Pessoas com essa característica podem ter redução do fluxo sanguíneo em certas regiões do cérebro anos antes dos primeiros problemas de memória.
Por isso, pesquisadores querem saber se mudanças na circulação ajudam a identificar sinais precoces ligados ao risco. A hipótese da equipe é que intervenções capazes de melhorar esse fluxo possam embasar estratégias futuras de prevenção. Ter a APOE4, porém, não significa necessariamente desenvolver Alzheimer, e os dados atuais não permitem afirmar que o medicamento reduza esse risco.
Novos testes precisam definir se há prevenção
Os autores descreveram o trabalho como um estudo piloto de braço único, sem grupo placebo para comparação. A avaliação também durou apenas quatro semanas. Por essa razão, não é possível dizer se as alterações se mantêm no tempo ou se estão ligadas a menos casos de Alzheimer.
Os pesquisadores pretendem aprofundar a investigação para verificar se a melhora da circulação cerebral pode se transformar em benefícios duradouros para pessoas com predisposição genética à doença.
Editoria:
Redação Saúde e Educação
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