Rainha da Cetamina pega 15 anos, pena maior que a dos médicos condenados pela morte de Matthew Perry
A morte do ator Matthew Perry (1969-2023) completa três anos na quarta-feira (28). Encontrado sem vida em uma banheira de hidromassagem, o astro de “Friends” teve a morte investigada, e cinco pessoas acabaram condenadas por envolvimento no caso.
Entre os condenados estão médicos, um ex-produtor, o assistente pessoal do ator e a chamada “Rainha da Cetamina”, apontada como responsável por fornecer a dose fatal da substância. Segundo o relatório da autópsia, Perry morreu em consequência dos “efeitos agudos da cetamina” e de afogamento posterior.
Traficante conhecida como Rainha da Cetamina pega 15 anos
Em abril deste ano, a traficante de drogas recebeu pena de 15 anos de prisão pelo fornecimento do entorpecente que levou à morte do intérprete de Chandler em “Friends”. Jayvee Sangha admitiu manter um “ponto de armazenamento” de drogas ilegais em sua casa, no bairro de North Hollywood, em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Em setembro de 2025, ela se declarou culpada de cinco acusações criminais ligadas a drogas, todas decorrentes da morte de Perry em 2023, quando ele tinha 54 anos. Com 42 anos e dupla nacionalidade, americana e britânica, Sangha podia pegar até 65 anos de prisão.
Durante a audiência em um tribunal federal de Los Angeles, ela apareceu de uniforme bege de prisão e pediu desculpas antes da sentença. “Assumo total responsabilidade por minhas ações. Foram escolhas horríveis que acabaram tendo consequências trágicas”, disse Sangha à juíza.
A pena foi mais dura do que as aplicadas aos dois médicos condenados antes no caso.
Médico da Califórnia recebe dois anos e meio de prisão
Salvador Plasencia, que tocava uma clínica de atendimento de urgência nos arredores de Los Angeles, foi condenado a dois anos e meio de prisão em dezembro de 2025 por fornecer cetamina ilegalmente ao ator. Ele havia se declarado culpado em julho, em um tribunal federal, de quatro acusações de crime grave ligadas à distribuição ilegal do anestésico.
O crime podia render até 40 anos de prisão.
Plasencia deixou a licença médica em setembro. Como parte de um acordo judicial, admitiu que, nas semanas antes da morte, aplicou injeções de cetamina em Perry várias vezes na casa dele e, uma vez, no banco de trás de um carro estacionado.
No tribunal, ele se virou para os familiares do ator, sentados na sala, e afirmou: “Eu falhei com Perry, falhei com a família dele e falhei com a comunidade”. Em seguida, completou: “Sinto muito”.
Ex-produtor pede clemência e recebe dois anos de prisão
O ex-produtor de cinema e conselheiro para dependentes químicos Erik Fleming foi sentenciado em maio pelo envolvimento na morte do ator. A decisão veio depois de ele implorar por clemência ao longo do processo.
Fleming se declarou culpado em agosto de 2024 de conspiração para distribuir cetamina e de distribuição do medicamento, que resultou em morte. Segundo documentos judiciais, ele conseguiu e repassou o analgésico que acabou causando a morte do astro.
Ao todo, entregou 50 frascos da droga ao assistente pessoal de Perry, Kenneth Iwmasa, que também foi condenado.
Em carta enviada ao Tribunal e obtida pelo tabloide, ele reconheceu o próprio papel e afirmou que sabia que “era ilegal e errado”. “Vossa Excelência, aceitarei minha punição com humildade e passarei o resto da minha vida trabalhando para me tornar digno de perdão”, teria escrito.
No mesmo documento, pediu uma pena de três meses de prisão, um tratamento para dependência química de 9 meses e 3 anos de liberdade condicional supervisionada.
Médico recebe prisão domiciliar e liberdade supervisionada
Mark Chavez, que se declarou culpado de um esquema para fornecer cetamina a Perry antes da morte por overdose, foi condenado no final de 2025 a 8 meses de prisão domiciliar. A juíza Sherilyn Peace Garnett também determinou 3 anos de liberdade supervisionada, em sentença proferida em um tribunal federal de Los Angeles.
Antes da decisão, Chavez disse ao juiz que havia perdido um ente querido recentemente e que entendia a dor provocada pela morte de Perry. Segundo a acusação, o médico teria adquirido a ketamina e a entregado a Salvador Plasencia.
Assistente pessoal do ator recebe 41 meses de prisão federal
Em maio, Kenneth Iwamasa foi condenado a 41 meses de prisão federal, o que encerrou o processo contra cinco pessoas que admitiram participação na morte do ator. A juíza Sherilyn Garnett deu a sentença. Iwamasa foi quem encontrou Perry boiando de bruços e sem vida na banheira de hidromassagem, em casa, em Los Angeles, em outubro de 2023.
Os promotores federais afirmaram que Iwamasa aplicou cetamina em Perry a pedido do próprio ator, antes de sair para fazer compras. Quando voltou, o ator já estava morto. Iwamasa se declarou culpado de conspiração para distribuir cetamina, que resultou em morte, e admitiu ter injetado a substância repetidamente, sem treinamento médico, inclusive a dose letal.
Os promotores pediam pelo menos 41 meses de prisão federal. Eles o chamaram de “cúmplice e fornecedor de drogas” de Perry em documentos apresentados antes da sentença. Iwamasa conhecia o ator desde 1992 e morava com ele desde 2022. Segundo as autoridades, ao longo de outubro de 2023 ele aplicou cetamina em Perry diversas vezes e, pelo menos duas vezes, encontrou o ator inconsciente, mas seguiu administrando a droga.
Em outra ocasião, viu Perry “congelar” e perder a fala após receber uma injeção de cetamina de um médico.
Ator falou sobre 15 internações e documentário na Netflix
Durante a vida, Perry falou abertamente sobre os tratamentos que fez para lidar com o vício em dependência química. Segundo ele, foram 15 vezes em reabilitação.
Na terça (27), um novo documentário sobre a vida dele chegou à Netflix.
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