Rabobank prevê alta de 11% nos custos do milho e recuperação lenta das margens em 2027

Os fertilizantes e inseticidas devem puxar a alta dos custos do milho, enquanto dívidas acumuladas e inadimplência recorde limitam o caixa dos produtores.

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Rabobank prevê alta de 11% nos custos do milho e recuperação lenta das margens em 2027
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As margens de produtores de soja e milho no Brasil devem continuar sob pressão em 2027, apesar de permanecerem em condição operacional relativamente melhor que a de agricultores de outros grandes mercados. Em relatório, o Rabobank prevê uma recuperação lenta e desigual da rentabilidade global, diante da oferta abundante de grãos e do aumento dos custos de insumos.

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Os custos operacionais do milho brasileiro devem subir 11% na safra 2026/27, puxados principalmente por fertilizantes e inseticidas. Para a soja, a alta projetada é de aproximadamente 4%. O cálculo considera fertilizantes, defensivos, sementes e combustíveis, mas exclui terra, financiamento e subsídios governamentais.

Endividamento limita o caixa dos produtores

O relatório, assinado pelo analista Bruno Fonseca, aponta que as margens operacionais da soja no Brasil retornaram à média histórica, enquanto as do milho continuam acima dela. Juntas, as duas culturas ainda sustentam a rentabilidade operacional das propriedades agrícolas.

Esse resultado, porém, perde força diante das dívidas acumuladas em ciclos anteriores de investimento e das despesas com financiamento. O Rabobank afirma que o ambiente financeiro “continua desafiador” e que o comprometimento do caixa reduz a capacidade dos agricultores de aproveitar margens operacionais relativamente favoráveis.

Os índices regionais de inadimplência no campo passaram de 8% e chegaram a níveis recordes, segundo o levantamento. Por isso, o banco não prevê uma recuperação ampla e simultânea da rentabilidade agrícola mundial em 2027.

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Fertilizantes e defensivos encarecem a produção

As tensões geopolíticas no Oriente Médio pressionam os preços dos fertilizantes nitrogenados. No mercado de fosfatados, a oferta restrita e o enxofre mais caro também pesam sobre os custos.

No Brasil, a despesa com fertilizantes para a soja deve avançar 2%, de US$ 284 por hectare em 2026 para US$ 290 em 2027. Os gastos com defensivos agrícolas também têm alta projetada de 2%, de US$ 292 para US$ 301 por hectare.

Para o milho, a previsão é de aumento de 10% no custo com fertilizantes, de US$ 226 para US$ 248 por hectare. Já as despesas com defensivos devem crescer 35%, passando de US$ 96 para US$ 131 por hectare.

O movimento não se restringe ao Brasil. O Rabobank calcula que 2026 esteve entre os anos de produção agrícola mais caros para Brasil, Argentina e Estados Unidos, e prevê novos aumentos em 2027. O milho deve sentir mais a alta dos fertilizantes, especialmente pela pressão sobre a ureia.

Na Argentina, o gasto com fertilizantes para o milho deve saltar 205% em 2027, de US$ 84 para US$ 255 por hectare. Nos Estados Unidos, os custos com fertilizantes para soja e milho têm queda projetada de 3% em cada cultura.

Oferta de grãos restringe alta dos preços

A produção mundial de grãos e oleaginosas deve alcançar o segundo maior volume já registrado, segundo o banco. Com ampla disponibilidade, o Rabobank não espera que uma alta sustentada das commodities compense de forma abrangente o encarecimento dos custos nas lavouras.

A relação entre estoques e consumo de milho está diminuindo, o que deixa o mercado mais sensível a problemas de oferta. Preocupações com o clima, os estoques e conflitos geopolíticos podem provocar altas pontuais, mas não mudam a avaliação de que a recuperação das margens será limitada.

As cotações também refletem a previsão de um novo episódio de El Niño, que deve persistir durante boa parte do primeiro semestre de 2027. O fenômeno não significa necessariamente perda de produtividade, mas aumenta a incerteza sobre as condições de produção e pode influenciar decisões de plantio e manejo.

No mercado de fertilizantes, a continuidade das tensões no Oriente Médio gera dúvidas sobre os embarques de importantes fornecedores de nitrogenados. A volta da China às exportações de nitrogênio pode aliviar parte da oferta, mas não deve compensar todas as interrupções.

Nos fosfatados, a ausência chinesa nas exportações, junto ao enxofre mais caro e à oferta restrita, mantém os preços pressionados.

Nos próximos seis a 12 meses, os preços das commodities podem se aproximar do limite superior das faixas recentes de negociação, avalia o Rabobank. Se isso ocorrer, produtores poderão fixar vendas e garantir margens próximas ou acima do ponto de equilíbrio, embora o banco considere que esses ganhos devem ser pontuais.

Brasil mantém vantagem operacional sobre os EUA

A diferença entre o preço de venda da soja e os custos operacionais nos Estados Unidos está perto de mínimas históricas há três ou quatro safras, de acordo com o Rabobank. No Brasil, o indicador caiu desde o pico de 2022 e voltou para perto da média histórica, nível observado nas últimas temporadas.

Para 2027, o banco projeta estabilidade dessa relação nos dois países. Calculado em dólares por bushel, o indicador subtrai os custos operacionais do preço de venda e serve como referência para acompanhar as margens, mas não corresponde à rentabilidade líquida da atividade.

No Brasil, o financiamento continua sendo o principal entrave. Nos Estados Unidos, as margens operacionais do milho devem recuar pelo segundo ano seguido e ficar em cerca de 3% em 2027. Ao incluir despesas que não entram no cálculo operacional do relatório, a rentabilidade dos produtores norte-americanos de milho deve ser negativa.

Retomada das margens será desigual entre regiões

Após a valorização das commodities entre 2020 e 2023, agricultores vêm tentando conter despesas. Com preços menos favoráveis e custos elevados, produtores tendem a adiar investimentos, cortar gastos e reavaliar áreas destinadas a culturas menos rentáveis.

O efeito sobre a oferta e os preços dependerá da demanda, do clima e dos custos de produção.

Na Argentina, a recuperação recente das cotações da soja deve favorecer as margens da oleaginosa em 2027. Para o milho, porém, o aumento dos gastos com fertilizantes e a elevada carga tributária continuam sendo obstáculos.

Na Europa, o ponto mais baixo das margens agrícolas é esperado para 2026. A previsão é de melhora em 2027 se a produtividade voltar aos níveis médios. Na Austrália, por outro lado, fertilizantes, diesel e frete caros devem continuar comprimindo a rentabilidade em 2027.

O Rabobank resume a perspectiva para o próximo ano como uma recuperação das margens agrícolas ainda “atrasada e desigual”.

A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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