Quibe: a adaptação que transformou o salgado árabe em febre no Brasil

O quibe, salgado que virou febre nas festas de aniversário e nos cardápios de lanchonetes pelo Brasil, carrega uma história de adaptação. O quitute, que ganhou fama até em hits musicais dos anos 1990, é uma herança direta dos imigrantes sírio – libaneses que chegaram ao país entre o fim do século XIX e o início do século XX.
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Para cair no gosto dos brasileiros, a receita original precisou de uma mudança essencial.
Criado originalmente na região onde hoje ficam a Síria e o Líbano, o nome do salgado vem do árabe kibbeh, que significa “bola” ou “formado à mão”. A versão tradicional levava carne de cordeiro moída e bulgur, uma espécie de trigo triturado, além de temperos como hortelã, pimenta síria e cebola. Os árabes preparavam o alimento cru e o serviam como uma refeição nobre, consumida em ocasiões especiais, acompanhado de azeite, coalhada e pão sírio, segundo o livro “The Oxford Companion to Food” (1999), de Alan Davidson.
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A carne que conquistou o Brasil
Quando os imigrantes trouxeram a receita para o Brasil, perceberam que a carne de cordeiro não era tão popular por aqui. A solução foi substituir essa proteína pela carne de boi, que já fazia parte do dia a dia dos brasileiros. Essa troca foi o primeiro passo para que o quibe se tornasse um sucesso nacional.
Com o passar dos anos, o quitute ganhou variações que o popularizaram ainda mais na região. Hoje, ele é servido frito, assado, na travessa, e aparece recheado com queijo, coalhada ou requeijão. A versatilidade da receita ajudou a espalhar o sabor do Oriente Médio por todo o país.
De salgado nobre a ícone das festas
Assim como as esfirras, o quibe veio do Oriente Médio e ganhou espaço definitivo nas casas brasileiras. Atualmente, ele é tão popular quanto as coxinhas, os pães de queijo e outros salgados que não podem faltar em festas de aniversário, casamentos e outros eventos sociais.
O alimento, que já foi um símbolo de ocasiões especiais no mundo árabe, hoje é um quitute democrático e presente no cotidiano do Brasil.
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A receita também virou meme na internet depois de ser citada em um hit musical dos anos 1990, o que mostra como o quibe está enraizado na cultura popular brasileira. A adaptação dos ingredientes e a criatividade dos brasileiros transformaram a herança sírio – libanesa em um dos salgados mais amados do país.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



