Mesmo parecendo igual ao seguro, proteção veicular não tem SUSEP nem Banco Central por trás
Seguro auto e proteção veicular parecem oferecer a mesma coisa, mas funcionam de maneiras bem diferentes. A principal distinção está na regulamentação, nas garantias de pagamento e na previsibilidade dos custos. O seguro é uma apólice individual, garantida por instituição financeira fiscalizada pela SUSEP (Superintendência de Seguros Privados).
A proteção veicular, por sua vez, é um sistema de rateio de prejuízos administrado por associação ou cooperativa sem fins lucrativos.
Com o avanço das insurtechs, o cenário mudou. A Loovi, que comercializa planos da LTI Seguros SA., seguradora autorizada pela SUSEP, oferece acessibilidade parecida com a da proteção veicular. Aceita carros antigos e dispensa burocracia excessiva, mas mantém a segurança jurídica do seguro tradicional.
O que caracteriza o seguro auto
O seguro é fiscalizado e regulado pela SUSEP e pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). Nesse modelo, a seguradora assume o risco total do veículo e precisa manter reservas de emergência, chamadas provisões técnicas, para pagar indenizações mesmo em cenários de sinistros em massa.
O motorista assina uma apólice individual, com direitos, deveres e valores de indenização fixados antes do sinistro. Esses valores não mudam conforme os acidentes de outros clientes. O preço é definido na contratação, por meio de mensalidade fixa ou apólice anual, e pode ser cobrado como assinatura mensal recorrente sem comprometer o limite do cartão.
Como funciona a proteção veicular
A proteção veicular não é um seguro. Ela é oferecida por associações ou cooperativas sem fins lucrativos, constituídas sob o Código Civil brasileiro, e não tem fiscalização da SUSEP nem do Banco Central. O funcionamento se baseia na cooperação entre membros de um grupo fechado.
Na prática, o risco não fica com uma empresa financeira. Ele é dividido entre os associados. Se o grupo registrar muitos roubos e acidentes em um mês, a mensalidade de todos sobe para cobrir o prejuízo. Em vez de uma apólice, o motorista assina um Termo de Adesão e o Regulamento Interno da associação, e passa a ser um “associado”, corresponsável pelos custos do grupo.
Qual opção faz mais sentido para o seu veículo
Quem prioriza previsibilidade financeira, rapidez na liberação de indenizações e garantia legal respaldada pela SUSEP tende a escolher o seguro auto. Ele também atende quem busca facilidade e economia sem abrir mão da segurança jurídica.
A proteção veicular costuma atrair quem não consegue aprovação no mercado tradicional ou quer um custo inicial menor. Em troca, o associado aceita a variação mensal dos valores e a ausência de um fundo garantidor oficial. Essa troca pode trazer surpresas na hora de acionar o serviço.
Como cada modelo funciona na hora do acionamento
Em insurtechs como a Loovi, o processo é 100% digital. O aviso de sinistro é feito pelo aplicativo ou pelo Whats App oficial. O segurado envia a cópia do Boletim de Ocorrência (BO) e as fotos dos danos pelo celular. Algoritmos de inteligência artificial e visão computacional analisam as imagens e os dados cadastrais, e a regulação começa logo em seguida.
Na proteção veicular, o caminho é outro. O acionamento pode exigir contato direto com a associação, seja presencial ou por telefone, ou o preenchimento de formulários físicos ou em PDF enviados por e-mail. Em geral, a associação pede o boletim de ocorrência original, registrado em cartório ou assinado, além de formulários detalhados assinados à mão.
Prazos para receber a indenização
No seguro auto, a legislação da SUSEP fixa em 30 dias o prazo máximo para o pagamento da indenização integral, contado a partir da entrega de todos os documentos solicitados. Além disso, as reservas obrigatórias da seguradora são auditadas pelo governo.
Isso garante o dinheiro da indenização mesmo em meses de crise econômica.
Já na proteção veicular não existe prazo legal fixo. O regulamento interno da associação define o tempo de pagamento, que pode chegar a 60, 90 dias ou mais. Como o modelo funciona por rateio, a indenização depende do saldo disponível no caixa do mês ou do recolhimento das cotas dos demais associados.
O que mudou com a tecnologia
A proteção veicular ganhou espaço porque, no seguro tradicional, a burocracia recusava carros antigos, cobrava juros altos e exigia contratos anuais engessados. Essas barreiras afastavam motoristas de renda mais baixa. Segundo a Loovi, o cenário atual é diferente.
A insurtech afirma que aceita carros antigos, modificados, elétricos e usados em aplicativos de transporte. A vistoria é feita por fotos analisadas por inteligência artificial, com foco no estado do veículo e não no histórico rígido do motorista.
O pagamento é mensal, sem fidelidade, e combina o preço acessível do rateio com a regulamentação do seguro.
Editoria:
Redação Economia
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