Professor afirma que Brasil enfrenta uma crise séria e sem precedentes em decorrência do impasse do IOF

O cientista político Marco Aurélio Nogueira, da Unesp, analisa a situação institucional do país e destaca uma “disputa desmedida de poder” entre os Três…

NOGUEIRA

O Brasil vivencia uma crise política sem precedentes, caracterizada por tensões entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário em relação a um impasse envolvendo um decreto que elevou as alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Esta é a avaliação do cientista político Marco Aurélio Nogueira, professor titular de Teoria Política da Unesp (Universidade Estadual Paulista).

“Temos uma crise séria e, de certo modo, uma crise inédita, que questiona a relação entre os poderes e também põe em xeque o Executivo, de maneira mais específica”, declarou Nogueira em entrevista à CNN nesta segunda-feira (7), durante participação no jornal WW.

Diante desse cenário instável, o STF (Supremo Tribunal Federal) busca mediar um conflito entre o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto, após o ministro Alexandre de Moraes determinar a suspensão das ações do governo federal e do Congresso sobre o IOF e convocar uma audiência de conciliação entre os Poderes para discutir o assunto. “Uma conciliação que me parece cada vez mais distante”, ressalta Nogueira.

O docente da Unesp ressalta que a ausência de diálogo e a inflexibilidade das partes envolvidas colocam em risco não somente a estabilidade institucional, mas também a habilidade do país de lidar com seus problemas mais prementes. Assim, a solução para essa crise requer um esforço conjunto de todos os segmentos da sociedade e da política brasileira para restabelecer conexões e encontrar um caminho de entendimento mútuo.

O cientista político ainda ressalta um fenômeno que ele considera preocupante: o fortalecimento artificial do STF. Nogueira explica que este reforço do Judiciário advém da inatividade ou do desrespeito do Congresso e do poder Executivo. Contudo, ele adverte que o Supremo não deve ser visto como o poder que governa, nem como o responsável por construir consensos.

Paralisação democrática e ausência de diálogo.

Nogueira também aponta para uma aparente incapacidade das partes em conflito de avançarem em direção a um consenso estratégico que priorize os interesses maiores do país.

O cientista político afirma que estamos assistindo a uma disputa insana de poder, na qual ninguém abre mão de suas posições e ninguém qualifica suas posições.

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Ademais, Nogueira destaca o que ele denomina uma “paralisia dos democratas”, tanto de esquerda quanto de centro. Ele afirma que esses atores políticos se acomodam em suas posições e não clareiam para a sociedade suas opiniões sobre a relação entre os poderes e a situação geral do país.

Fonte por: CNN Brasil