Produção de vinho na França deve ficar entre as menores em três décadas em 2026

Calor e seca reduziram a previsão para 33,9 milhões de hectolitros, 17% abaixo da média de 2021 a 2025, com queda de 49% em Champagne.

07/09/2026 16:11

3 min

Uvas em um vinhedo de Muscadet afetado pela seca, próximo a Nantes, França
Uvas em um vinhedo de Muscadet afetado pela seca, próximo a Nant...

A França deverá registrar uma das menores produções de vinho das últimas três décadas em 2026. A produção de champanhe pode cair pela metade depois que o calor intenso e a seca danificaram videiras e uvas, informou o Ministério da Agricultura nesta segunda – feira.

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O país, segundo maior produtor mundial de vinho, teve seu verão mais quente até então em 2026. A previsão ocorre após safras fracas em 2024 e 2025 e em meio ao avanço de eventos climáticos extremos associados às mudanças climáticas causadas pelo homem.

Produção francesa deve ficar abaixo da média

A França projetava produzir 33,9 milhões de hectolitros de vinho em 2026, o equivalente a cerca de 4,5 bilhões de garrafas padrão. O volume representa uma queda de 6% em relação ao ano passado e fica 17% abaixo da média registrada entre 2021 e 2025.

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As condições no início do ano eram consideradas favoráveis pelo Ministério da Agricultura. Durante o verão, porém, a seca e as ondas de calor prejudicaram as videiras e reduziram os rendimentos.

A maioria dos produtores de vinho na França, assim como em outros países europeus, começou a colheita das uvas excepcionalmente cedo este ano. A Europa passa pelo aquecimento mais rápido entre todos os continentes, segundo cientistas.

Tradicionalmente, a França é o segundo maior produtor mundial de vinho, atrás apenas da Itália, e o maior exportador em valor. O setor também enfrentou as tarifas dos EUA no ano passado, enquanto o consumo atingiu o nível mais baixo em mais de 60 anos, influenciado por mudanças nos gostos e preocupações com a saúde.

Queda atinge Champagne e outras regiões

Na região de Champagne, a produção deve recuar 49% em relação a 2025 e ficar 47% abaixo da média de cinco anos. A estimativa para Borgonha – Beaujolais é de queda de um terço.

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O Vale do Loire e Charentes também devem registrar retrações, de 12% e 6%, respectivamente. Já Languedoc – Roussillon, região que mais produz vinho na França, pode ter alta de 5% em relação à fraca safra do ano passado, graças à melhora nos rendimentos.

Mesmo assim, o volume permanecerá abaixo da média.

Em Bordeaux, a previsão é de recuperação de 10% na comparação com 2025. As chuvas no final de agosto ajudaram a reduzir os efeitos do estresse provocado pela seca, mas a produção ainda deve ficar bem abaixo da média de cinco anos.

A área de produção diminuiu 2,5% em relação ao ano passado. Com a oferta acima da demanda diante da queda no consumo, produtores arrancaram parte dos vinhedos.

Medidas para agricultores

A agricultura francesa também foi afetada neste verão, marcado pela falta de chuva. Na sexta – feira, a França anunciou um pacote de ajuda de emergência para os agricultores.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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