França libera mais de 1 bilhão de euros a produtores após secas e ondas de calor recordes

A França anunciou nesta sexta – feira (4) um pacote de mais de 1 bilhão de euros (U 1,16 bilhão) para agricultores e pecuaristas afetados por ondas de calor e secas recordes neste verão. Os eventos destruíram lavouras, reduziram pastagens, pressionaram o abastecimento de água e comprometeram a produção agropecuária no país.
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O anúncio ocorre enquanto o governo francês prepara o orçamento do próximo ano e tenta manter o déficit sob controle antes da eleição presidencial de 2027. “Um bilhão de euros representa um esforço massivo dado o atual contexto orçamentário”, afirmou a ministra da Agricultura, Annie Genevard.
Pacote prevê ajuda imediata e fundo de recuperação
Dos recursos anunciados, 520 milhões de euros serão liberados imediatamente para atender aos prejuízos provocados pelo clima. A FNSEA, principal sindicato de agricultores da França, calcula que as perdas de produção dos produtores ultrapassem 10 bilhões de euros.
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Os segmentos de pecuária e de cultivos agrícolas estimam prejuízos superiores a 5 bilhões de euros cada. “O objetivo imediato é gerenciar a emergência”, disse Genevard.
O plano inclui ainda um fundo de recuperação de 235 milhões de euros. O dinheiro deverá ajudar as fazendas a comprar sementes, ração para animais e insumos de plantio, depois que as secas deixaram os solos áridos.
Entre as medidas previstas estão também alívio no imposto territorial, auxílio para pagamentos de seguridade social e um subsídio de combustível. De acordo com a ministra, cerca de 30 mil a 35 mil fazendas enfrentam dificuldades financeiras.
Milho atinge pior nível da série histórica
As condições das lavouras de milho da França pioraram na última semana e chegaram a um novo mínimo histórico. Dados divulgados nesta sexta pela France Agri Mer mostram que apenas 27% da safra de milho em grão estava em condições boas ou excelentes em 31 de agosto.
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O índice ficou abaixo dos 28% registrados na semana anterior e representa o pior resultado da série histórica do órgão, iniciada em 2011. No mesmo período do ano passado, a proporção era de 62%.
Entre os cereais, o milho é a cultura mais afetada pelos eventos climáticos extremos. O verão europeu coincide com o período de maior desenvolvimento vegetativo da planta, o que amplia o impacto das altas temperaturas e da falta de chuva.
Analistas estimam que a colheita possa cair cerca de metade e atingir o menor nível desde 1976. A nova piora ocorreu mesmo após chuvas e temperaturas mais amenas na semana passada, mas o calor e a seca voltaram a predominar na França.
Colheita começou antes da média histórica
As temperaturas devem chegar a 40°C em algumas regiões do sul do país durante uma nova onda de calor esperada para esta semana. O Ministério das Finanças afirmou que o clima seco e quente deste verão pode retirar 0,1 ponto percentual do crescimento econômico da França este ano.
Os agricultores já começaram a colher o milho em grão. Até segunda – feira (31 de agosto), 3% da área havia sido colhida, informou a France Agri Mer.
O ritmo está acima da média histórica de 5 anos para o período, que é de 1%. Mesmo com o avanço da colheita, a avaliação das lavouras e as estimativas de produção continuam pressionadas pelas condições climáticas.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



