Exportações brasileiras de carne bovina para a China despencam 89,8% em agosto de 2026

As exportações brasileiras de carne bovina in natura para a China caíram para 16 mil toneladas em agosto de 2026, o pior resultado desde dezembro de 2021. O volume representa uma retração de 89,83% na comparação com as 158 mil toneladas embarcadas em agosto de 2025.
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Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, classificou o desempenho como excepcionalmente baixo. “16 mil toneladas de carnes exportadas em agosto pra China, pior desempenho desde dezembro de 2021”, afirmou. Para ele, a queda mostra uma forte desaceleração dos embarques para o principal destino da carne bovina brasileira.
Cota da China reduz espaço para a carne brasileira
A redução aconteceu depois que o Brasil atingiu a cota estabelecida pela China para as importações de carne bovina. Com o limite já utilizado, o volume que excede a cota fica sujeito à tarifa integral de importação, o que diminui a competitividade do produto brasileiro no mercado chinês.
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Dados do Secex (Secretária do Comércio Exterior), compilados pela Safras & Mercado, mostram que o Brasil exportou 1,205 milhão de toneladas de carne bovina para a China entre janeiro e agosto de 2026. Esse total corresponde a 108,99% da cota anual de 1,106 milhão de toneladas.
Os embarques ganharam velocidade principalmente no segundo trimestre de 2026. Em maio, o Brasil enviou 154,8 mil toneladas para a China, alta de 39,42% ante o mesmo mês de 2025. No mês seguinte, foram 158,3 mil toneladas, crescimento de 17,81% na comparação anual.
Frigoríficos buscam destinos alternativos
Após o pico de junho, o fluxo perdeu força. Em julho, os embarques recuaram para 82,7 mil toneladas, uma queda de 47,78% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em agosto, o volume desabou novamente e ficou em 16,08 mil toneladas.
O resultado aumenta a pressão sobre os frigoríficos brasileiros, que precisam encontrar outros destinos para parte da produção. A China responde por uma parcela relevante das compras externas de carne bovina do Brasil, e substituir esse mercado rapidamente não é simples.
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Enquanto o Brasil já ultrapassou sua cota anual, outros fornecedores ainda tinham espaço para ampliar as vendas à China. Até julho, a Argentina havia utilizado 52,40% da cota de 511 mil toneladas, e o Uruguai, 28,05% do limite de 324 mil toneladas.
No mesmo período, a Nova Zelândia havia usado 36,44% de sua cota de 206 mil toneladas. Os Estados Unidos tinham utilizado apenas 0,60% de um limite de 164 mil toneladas. Mesmo com a queda dos embarques para a China, Fernando Henrique Iglesias afirmou que a demanda permanece sustentada no mercado físico brasileiro, apoiada principalmente pela menor disponibilidade de animais prontos para o abate no segundo semestre.
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



