Presidente do Irã endurece discurso e diz que país não cederá à pressão dos EUA e de Israel
Pezeshkian reforça posição iraniana durante cúpula do Brics em meio a tensões no Oriente Médio.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, endureceu o discurso nesta sexta – feira (11) e afirmou que o país não vai se curvar às pressões dos Estados Unidos e de Israel. A declaração foi feita à margem da cúpula do Brics, que acontece em Nova Délhi. “Não cederemos diante de valentões e arrogância”, disse Pezeshkian durante um evento com líderes religiosos e empresariais indianos.
A fala acontece em meio a um cenário de tensão crescente no Oriente Médio. O presidente iraniano também tratou de temas sensíveis durante as conversas com autoridades indianas, destacando a necessidade de proteger a liberdade de navegação e comércio na região, além de garantir a segurança e o bem – estar dos marinheiros.
A Índia, que sedia o encontro, tem um papel complicado nesse tabuleiro geopolítico.
O dilema indiano no conflito
A nação do sul da Ásia foi particularmente afetada pelos ataques a navios que transitavam pela região, que mataram pelo menos 10 indianos. A Índia vive uma situação delicada neste conflito: mantém laços históricos e culturais com o Irã, ao mesmo tempo em que possui fortes relações estratégicas com Israel e amizades estreitas com países árabes, onde milhões de seus cidadãos vivem e trabalham.
Nova Délhi condenou os ataques que atingiram a infraestrutura energética da região e contra navios que resultaram na morte de tripulantes. No entanto, em uma ação que surpreendeu muitos analistas, o governo indiano assinou, durante a cúpula de Bishkek, uma declaração conjunta que condena a campanha militar dos EUA e de Israel contra o Irã, além de criticar as sanções ocidentais impostas ao país persa.
Reação iraniana e o papel do Brics
Pezeshkian usou o palco do Brics para reforçar a posição de Teerã. O bloco, que reúne economias emergentes, tem se mostrado um fórum onde o Irã busca aliados para contrapor o que chama de unilateralismo americano. A cúpula em Nova Délhi ocorre em um momento em que as potências ocidentais tentam isolar o Irã diplomaticamente e economicamente.
O presidente iraniano não poupou críticas aos seus adversários. Para ele, a pressão exercida por Washington e Tel Aviv é uma demonstração de arrogância que não será tolerada. A fala foi recebida com atenção pelos líderes presentes, que veem no Irã um ator central para a estabilidade — ou instabilidade — da região do Golfo Pérsico e do Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global de petróleo.
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Com a escalada das tensões, a comunidade internacional observa com cautela os próximos passos de Teerã. A Índia, ao mesmo tempo que busca manter boas relações com todas as partes, tenta equilibrar seus interesses comerciais e de segurança. A assinatura da declaração conjunta em Bishkek mostrou que, ao menos no discurso, Nova Délhi pode se alinhar ao Irã contra as sanções e ataques militares, mesmo que isso cause desconforto em Washington e em Tel Aviv.