Prefeitura do Rio faz nova operação contra ambulantes em Copacabana; trabalhador é detido
O movimento gerou forte reação entre os trabalhadores informais; durante a ação, o artista ambulante Rael foi agredido, detido e levado à 13ª Delegacia de Polícia, mas já foi liberado no começo desta tarde. Conflito legal: falta de regulamentação dos espaços
A operação ocorre apesar do que determina a Lei nº 6.426, aprovada em 2018 no município carioca. Essa lei prevê justamente a criação de depósitos públicos destinados às mercadorias dos vendedores informais; contudo, até o momento desta matéria não houve qualquer processo formal de sua regulamentação ou implementação pelo poder público municipal.
A Prefeitura do Rio de Janeiro realizou na manhã desta quinta-feira (uma nova operação que apreendeu barracas e mercadorias em dois depósitos localizados nas galerias Ritz e Casa de Pedra, no bairro Copacabana.
“Isso demonstra claramente que a prefeitura busca criar fatos publicitários com interesses eleitorais e não promover ordem real”, afirmou Anna Cecília Bonan, advogada ligada ao Movimento Unido dos Camelôs (Muca).
Ela ressaltou ainda para Brasil de Fato que mesmo quando autorizado legalmente, os comerciantes ambulantes carecem desses espaços depositórios por uma omissão deliberada do próprio município.
Críticas trabalhistas apontam repressão em vez de diálogo. O Sindicato dos Trabalhadores Informais (Sininformal) condenou veementemente a ação da prefeitura. Em nota oficial prestando solidariedade a Rael e aos colegas afetados pela operação na manhã desta quinta-feira, o sindicato criticou duramente o tratamento dado à categoria.
“É inadmissível tratar trabalhadores como criminosos apenas porque estão buscando seu sustento diário”, declararam os representantes no Sininformal.
Eles argumentam que enquanto não houver políticas públicas efetivas para inclusão social ou regulamentação do setor, só sobra repressão contra quem depende exclusivamente de trabalhos informais.”
Visão federal cobra diálogo com ambulantes. Em outra esfera jurídica, a atuação é questionada pelo Ministério Público Federal (MPF). Embora reconheça em documento — datado da última sexta-feira (17) —, o esforço necessário para ordenar as praias e enfrentar crimes na área urbana como defende a Prefeitura, ele exige mais.
O MPF enfatiza um ponto crucial: os terrenos onde ocorre parte dessa atividade são considerados bens federais. Por isso, além do enfrentamento ao crime que foi apontado no documento oficial de análise, o órgão judicial solicita maior participação da União junto à prefeitura municipal.
Júlio Araújo, procurador regional dos Direitos do Cidadão por Brasil de Fato, destacou ainda que “a judicialização é uma oportunidade importante”. “Diante da omissão histórica do município em relação ao problema”, completou Júlio Araújo, indicando ser possível conciliar todos os direitos e interesses envolvidos através do diálogo com respeito a todas as partes.
Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.
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