Políticos muçulmanos dos EUA viram alvo de republicanos em campanha de 2026

A ofensiva de discursos anti-islâmicos acende alerta entre grupos de direitos civis sobre o uso político da retórica de ódio.

12/09/2026 13:12

3 min

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, em evento da MAGA Inc. em Sterling Heights, Michigan, EUA 31 de agosto de 2026 REUTERS/Jeff Kowalsky
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, em evento da MAGA Inc. em S...

Uma ofensiva de discursos anti – islâmicos marcou a reta final das campanhas eleitorais nos Estados Unidos em 2026. Em comícios e declarações públicas, candidatos republicanos a cargos importantes recorreram a ataques diretos contra muçulmanos e imigrantes, acusando – os de representar uma ameaça à segurança nacional.

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As falas acenderam o alerta entre grupos de direitos civis, que veem um aumento da retórica de ódio como estratégia política.

O vice – presidente JD Vance liderou a ofensiva ao chamar Abdul El – Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan, de “muito, muito maléfico”. A declaração ocorreu em um comício em setembro. Muçulmano e filho de imigrantes indianos, El – Sayed foi acusado por Vance de defender o terrorismo.

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A acusação se baseia em comentários que El – Sayed fez sobre um ataque ocorrido em março contra uma sinagoga nos subúrbios de Detroit.

Ataques no Texas e no Alabama

No Texas, o governador republicano Greg Abbott também entrou na mira das críticas. Enfrentando uma disputa acirrada por mais um mandato, Abbott atacou um projeto imobiliário liderado por muçulmanos. Ele pediu uma investigação sobre o que descreveu como esforços para criar “tribunais da sharia” no estado.

A acusação foi imediatamente contestada pelos incorporadores do projeto e por grupos de direitos civis, que classificaram a fala como infundada e preconceituosa.

Já no Alabama, o senador republicano Tommy Tuberville, candidato ao cargo de governador, adotou um tom ainda mais alarmista. Durante um evento de campanha, Tuberville afirmou que “o inimigo está dentro dos portões”, referindo – se ao que chamou de islamismo radical.

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A declaração acontece em um estado onde os muçulmanos representam menos de 0,5% da população, o que, para críticos, evidencia o caráter político e simbólico do ataque.

Reações e contexto eleitoral

As falas dos republicanos ocorrem em um momento de polarização intensa nos EUA, com a imigração e a segurança nacional no centro do debate. Para analistas, a estratégia busca mobilizar a base conservadora em estados – chave, como Michigan, Texas e Alabama, onde as eleições para o Senado e governo estadual estão acirradas.

Grupos de defesa dos direitos civis, no entanto, condenaram os discursos e prometeram monitorar os desdobramentos das investigações pedidas por Abbott.

Até o momento, nem a campanha de JD Vance nem a de Tommy Tuberville comentaram as críticas recebidas. Já Abdul El – Sayed, em resposta ao ataque do vice – presidente, afirmou que continuará defendendo a diversidade e o combate ao ódio, independentemente do resultado das urnas.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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