PIB da China supera previsões e avança 4,5% no terceiro trimestre de 2026

As exportações compensaram o consumo cauteloso, mas vendas no varejo fracas e a crise imobiliária mantêm dúvidas sobre a sustentabilidade do crescimento chinês.

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Circunferência com a bandeira da China se sobrepõe a painel de indicadores do mercado.
Circunferência com a bandeira da China se sobrepõe a painel de i...
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A economia da China cresceu 4,5% no terceiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados na segunda-feira (19). O avanço foi maior que o previsto por analistas e interrompeu a sequência de resultados mais fracos dos últimos três anos, com as exportações compensando o consumo cauteloso.

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Analistas esperam que Pequim cumpra a meta de crescimento para este ano, de 4,5% a 5,0%, sem anunciar novos estímulos. Mas o ritmo desigual da atividade preocupa: vendas no varejo ficaram atrás da produção industrial, e o mercado imobiliário continuou em recessão.

Exportações sustentam o avanço da economia chinesa

A China pode superar o superávit comercial de US$ 1,2 trilhão registrado no ano passado, apesar das tensões globais. As exportações de produtos como carne de frango, itens de beleza, carros elétricos e casas pré-fabricadas avançaram.

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Algumas fabricantes que haviam levado a produção para outros países estão retornando à China. As tarifas dos Estados Unidos sobre produtos chineses se aproximaram das cobradas de concorrentes como o Vietnã.

Andy Ji, analista da ITC Markets, afirmou que a produção de alta tecnologia, os chips, os veículos movidos a energia nova e as remessas ao exterior mostram uma modernização industrial competitiva em aceleração. Ele ponderou, porém, que o crescimento segue apoiado nas exportações e no Estado, enquanto o consumo interno não se sustenta por conta própria e o setor imobiliário ainda não dá sinais de estabilização.

A produção industrial subiu 5,5% em setembro. Mao Shengyong, funcionário do Departamento de Estatística, disse que o crescimento de 4,6% nos primeiros nove meses do ano foi “conquistado com dificuldade” e reconheceu um “desenvolvimento desequilibrado e inadequado”.

Nesse período, a indústria de alta tecnologia, a “economia digital” e os “serviços modernos” responderam por mais de 40% da expansão.

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Consumo fraco pressiona empresas e famílias

Os dados mais recentes também apontaram inflação ao consumidor moderada e aumento de mais de um terço nas exportações. O contraste é de uma economia cada vez mais presente nos mercados globais, mas com dificuldade para gerar prosperidade dentro do país.

A baixa procura interna levou a empresa de faróis para motocicletas de Zhang Chao a reduzir praticamente a zero as vendas na China e priorizar os mercados de exportação. Os pedidos no exterior dobraram este ano. “É muito competitivo e não dá lucro”, disse Zhang, que administra as operações da empresa no Sudeste Asiático. “A barreira à entrada é um pouco menor no exterior.”

A cautela dos consumidores também ampliou as disputas de preços. Para reduzir despesas, empresas passaram a cortar custos, inclusive com a folha de pagamento. A retração imobiliária, por sua vez, diminuiu significativamente a riqueza das famílias nos últimos cinco anos.

Desde o fim de setembro, Pequim adotou medidas como crédito mais barato para infraestrutura e tecnologia, subsídios modestos para hipotecas e mais recursos para governos locais. As finanças desses governos contribuíram para a queda de 7,2% no investimento em ativos fixos entre janeiro e setembro.

Medidas de apoio não resolvem desequilíbrio, dizem analistas

A União Europeia e a China concordaram em limitar as exportações de carros híbridos para o bloco. Bruxelas, no entanto, planeja novas restrições. Em setembro, o superávit comercial chinês com a Alemanha e a França cresceu mais de 200% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Em uma nota sobre os dados divulgados na segunda-feira, analistas do ANZ disseram que os números deste ano expõem um desafio de reequilíbrio econômico no médio prazo. Eles apontaram que tensões comerciais, protecionismo e atritos geopolíticos podem ameaçar o crescimento e deixar a economia mais vulnerável às mudanças externas do que os formuladores de políticas desejam.

Economistas avaliam que as iniciativas recentes reduzem o risco de a China não atingir sua meta, mas continuam concentradas na oferta. “A expansão das exportações da China não é ilimitada”, disse Michelle Lam, economista do Société Générale.

Sem uma mudança decisiva para apoiar a renda das famílias e o consumo, afirmou ela, o país pode permanecer por um período prolongado com inflação baixa e crescimento abaixo da média.

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