Viager em Paris e mortes em Hong Kong: por que a história do imóvel pesa mais que a metragem

Em Paris, a expectativa de vida do vendedor entra no cálculo do preço, e na Ásia o estigma ligado à morte afeta o interesse dos compradores. No modelo francês, o proprietário, em geral idoso, vende a casa com desconto e continua morando nela, enquanto o comprador paga uma renda até a morte dele.
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Já em Hong Kong, apartamentos onde houve homicídios ou suicídios chegam a ser negociados por até metade do valor de imóveis semelhantes. O mercado, nesse caso, reage à história do imóvel e não apenas à metragem ou à localização.
Como funciona o contrato viager
O viager troca o imóvel por uma renda vitalícia paga pelo comprador. A negociação pode incluir ainda o bouquet, uma quantia inicial entregue antes dos pagamentos periódicos.
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Na versão mais comum, o viager occupé, o vendedor fica com o direito de morar na casa até morrer, e o comprador só consegue usá-la por completo depois disso. No viager libre, o imóvel já está à disposição do comprador desde a assinatura, e os descontos podem chegar a até 80% do valor de mercado. O abatimento acompanha o tempo de espera e a obrigação de pagar uma renda sem prazo definido.
Mortes violentas derrubam preço em Hong Kong
Em Hong Kong, imóveis onde houve mortes não naturais, como homicídios e suicídios, podem sair com descontos de até 50%, segundo agentes imobiliários ouvidos pelo South China Morning Post. Os aluguéis desses imóveis também costumam ficar cerca de 20% abaixo da média do mercado.
O efeito não se limita ao apartamento onde a morte aconteceu. Um estudo de Zheng Chang e Jing Li, publicado em 2018 na revista acadêmica Regional Science and Urban Economics, analisou transações imobiliárias em Hong Kong entre 2001 e 2015 e estimou desvalorização média de 25% nas unidades diretamente ligadas a mortes não naturais.
A pesquisa também mediu o impacto sobre imóveis vizinhos. Apartamentos do mesmo andar caíram, em média, 4,5%, enquanto unidades de outros andares do mesmo prédio perderam 2,6%. Em outros blocos do mesmo condomínio, a queda foi de aproximadamente 1%.
Os autores atribuíram a maior parte da perda ao estigma do imóvel, e não ao receio de aumento da criminalidade.
A queda, porém, não é definitiva. Os preços seguiram recuando por cerca de quatro a cinco anos após o episódio e só depois voltaram a subir gradualmente.
Editoria:
Redação Economia
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