Petróleo cai 1% com sinal de que Irã pode reabrir Estreito de Ormuz em até 7 dias
Irã condiciona reabertura do estreito a alívio militar dos EUA, e mercado reduz prêmio de risco.
O mercado de petróleo amanheceu em queda nesta terça – feira (22), puxado por sinais de que o Irã estaria disposto a reabrir o Estreito de Ormuz. A informação, divulgada pela agência Kyodo News, diminuiu o temor de interrupções no fluxo global da commodity.
Segundo uma alta autoridade do governo iraniano ouvida pela Kyodo, Teerã afirmou que poderia reabrir a passagem em até sete dias, desde que os Estados Unidos tomem medidas iniciais para aliviar a pressão militar na região. O movimento aliviou os investidores, que passaram a reduzir os prêmios de risco nos contratos futuros.
Queda nos contratos futuros
O contrato do petróleo Brent para novembro recuava 89 centavos, ou 0,89%, sendo negociado a US 99,45 o barril. Já o WTI para outubro, que vence nesta terça, caía US 1,09 (1,14%), para US 94,69. O contrato mais líquido do WTI, com vencimento em novembro, registrava baixa de US 1,31 (1,42%), cotado a US 91,06.
Para Hamad Hussain, economista sênior especializado em clima e commodities da Capital Economics, a notícia pode indicar que os esforços diplomáticos estão surtindo efeito. “Isso poderia ser um sinal positivo”, afirmou. Antes do início dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, no fim de fevereiro, o estreito era responsável por cerca de um quinto do abastecimento global de petróleo e gás natural liquefeito.
Hussain, no entanto, pondera que ainda há entraves. “Também pode haver outros obstáculos, como a questão de pedágios e taxas, a serem superados antes que uma solução duradoura possa ser alcançada”, acrescentou.
Diplomacia e tensões na ONU
O mercado também acompanha as movimentações políticas em Nova York. O presidente dos EUA, Donald Trump, participa da Assembleia Geral da ONU nesta semana, em meio a um cenário de Oriente Médio instável e uma guerra na Ucrânia que já dura quatro anos e meio.
No domingo, Teerã e Washington trocaram ameaças, mas Trump sinalizou estar aberto a um encontro com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, que também deve estar em Nova York para o evento.
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No fim de semana, o Irã transmitiu suas condições aos mediadores para retomar as negociações, segundo a Al Jazeera, que citou o chefe de segurança do Irã, Mohsen Rezaei.
Oferta e novos gargalos
Enquanto o cenário geopolítico se desenrola, a Saudi Aramco aumentou as exportações pelo Estreito de Ormuz. A medida ocorre depois que ataques ao seu oleoduto Leste – Oeste forçaram a interrupção de alguns embarques por Yanbu. Dados de rastreamento de navios – tanque indicam que cerca de 14 milhões de barris de petróleo bruto foram carregados em sete superpetroleiros no Golfo no domingo.
Por outro lado, a produção na Líbia sofreu um novo golpe. Na segunda – feira (21), um grupo armado fechou a válvula sete do oleoduto de petróleo bruto de Sharara, que segue para o porto de Zawiya. A Corporação Nacional de Petróleo da Líbia confirmou a informação.
A produção no campo de Sharara caiu cerca de 200 mil barris por dia, operando atualmente entre 100 mil e 105 mil bpd, segundo engenheiros ouvidos pela Reuters.
Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank, afirma que não vê muito espaço para novas quedas nos preços do petróleo. Para ele, é preciso haver um aumento real da oferta pelo Estreito de Ormuz, especialmente de produtos refinados — onde a escassez é mais sentida.
Os preços do diesel já atingem níveis recordes na Europa e nos Estados Unidos, reflexo das guerras no Irã e na Ucrânia, que reduziram as exportações de gigantes como Rússia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.