Pentágono cria comando militar para ampliar capacidades em IA e drones

O novo Comando de Guerra Autônoma será liderado por um oficial de quatro estrelas e reflete a aposta em drones e IA.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth em Quantico, Virgínia, em 30 de setembro de 2026

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou nesta quarta – feira (30) a criação de um novo comando militar voltado para o desenvolvimento e fornecimento de sistemas autônomos e robóticos para todas as Forças Armadas. Batizado de “Comando de Guerra Autônoma“, a iniciativa sinaliza uma mudança de prioridades no Pentágono: deixar de lado plataformas convencionais caras e apostar em drones e inteligência artificial, que se mostraram decisivos em conflitos recentes.

O anúncio foi feito durante um discurso em Quantico, Virgínia, diante de centenas de oficiais e soldados. Hegseth afirmou que o novo comando será liderado por um oficial de quatro estrelas. “O ritmo da guerra está mudando mais rápido do que o processo para apoiá – la”, declarou, em uma fala que também incluiu críticas à mídia e a criação de um escritório de assuntos religiosos.

Mudança de estratégia militar

A criação de um novo comando não é algo corriqueiro nos EUA. O último foi o Comando Espacial, em 2019. Agora, com a Guerra Autônoma, o Pentágono reconhece que a tecnologia avança em velocidade superior à capacidade de adaptação das estruturas militares tradicionais.

“Computação barata, superinteligência e manufatura comercial avançada possibilitaram a proliferação de ataques de baixo custo e alta precisão”, acrescentou Hegseth. Atualmente, as Forças Armadas americanas contam com 11 comandos de combate, cada um responsável por regiões do globo ou tarefas específicas.

Há uma percepção crescente dentro do Pentágono de que o modelo atual, baseado em sistemas caros e de alta tecnologia, não é sustentável. “Hoje precisamos tanto de qualidade quanto de quantidade”, afirmou o secretário, indicando que a aposta em sistemas autônomos mais baratos é uma saída para ampliar o poder de fogo sem estourar o orçamento.

Riscos da inteligência artificial e guerra na Ucrânia

Especialistas em segurança têm alertado para os perigos de um desenvolvimento descontrolado da IA e para rivalidades tecnológicas que podem aumentar os riscos no cenário global. China e EUA, os dois maiores players no setor, divergem sobre políticas e práticas da tecnologia.

Estudiosos dos dois países pedem medidas de proteção e um consenso sobre o uso de IA em sistemas militares, inclusive armas nucleares.

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A evolução da guerra de drones ficou evidente no conflito entre Rússia e Ucrânia. O que começou como uma guerra de tanques e artilharia se transformou em um campo de batalha dominado por veículos não tripulados. Em desvantagem no número de blindados e aeronaves, a Ucrânia passou a usar drones de baixo custo para reconhecimento e ataque.

Estima – se que esses equipamentos sejam responsáveis por cerca de 70% das baixas russas, permitindo operações remotas e reduzindo riscos para pilotos e tripulações.

O Pentágono já havia dado alguns passos nessa direção, como a criação da força – tarefa Interagências Conjunta 401, focada no combate a drones. Agora, com o novo comando, a aposta em autonomia e robótica ganha uma estrutura permanente e centralizada.