Peña renuncia à presidência do Paraguai em meio à quebra do banco Ueno, comparada ao caso Master

Mais de 3 milhões de paraguaios ficaram sem acesso ao dinheiro após o congelamento dos fundos.

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Manifestantes pedem impeachment do presidente do Paraguai, Santiago Peña | Foto: Reprodução/Brasil de Fato

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou a renúncia na quinta-feira (5), em meio a uma crise bancária comparada ao escândalo do Banco Master, no Brasil. A saída é mais um revés para a extrema direita global.

No país, protestos tomam as ruas desde que o banco digital Ueno quebrou, congelou os fundos e deixou mais de 3 milhões de pessoas sem dinheiro. A instabilidade social cresce junto com a crise financeira.

Semana traz outros reveses para a extrema direita

Na terça-feira (3), a força política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ficou abalada depois que os democratas assumiram a maioria no Congresso. O resultado veio na esteira da vitória de Lula no Brasil.

Em Israel, Benjamin Netanyahu também enfrenta um cenário difícil, já que perdeu a maioria no Parlamento.

Analista vê limites na virada de Lula nos EUA

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a analista internacional Amanda Harumy avalia que a virada de Lula pode indicar uma mudança mais ampla. Para ela, a eleição brasileira mostra que as big techs podem ser enfrentadas.

Harumy ponderou, porém, o peso dessa influência nos Estados Unidos. “A vitória no Brasil mostra que é possível vencer as big techs. Há um indício de que o Brasil trouxe esse movimento de virada para os EUA. Mas precisamos lembrar que o sistema político dos EUA é bipartidário, ou seja, os Democratas são uma oposição ao governo Trump, mas não significa que é algo revolucionário para os EUA, que segue conservador”, pontua.

Crise no Paraguai mistura finanças e influência política

Sobre o caso paraguaio, Harumy afirma que houve uso de influência política e, possivelmente, acesso a informações privilegiadas para obter ganhos financeiros a partir da financeirização. Na visão dela, o problema vai além da falência de uma empresa.

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“O que acontece no Paraguai é realmente algo muito sério, porque envolve uma crise financeira que pode aumentar para outros bancos, para toda a economia. Não é a quebra de uma empresa, mas de um lastro financeiro importante para um país que já é vulnerável”, ressalta.

Ela também aproxima os casos do banco Ueno e do Master. “São interesses financeiros de grupos privados, que utilizam estrutura política para seus benefícios e criam artimanhas entre leis para lucrar em cima do país”, resume.

Impeachment em andamento e fragilidade institucional

Quando Peña anunciou a renúncia, a Câmara já discutia um processo de impeachment contra ele. Com essa saída, Santiago Peña se torna o terceiro presidente que não conclui o mandato no Paraguai, país marcado por governos de direita e extrema direita.

Na avaliação de Amanda Harumy, o país tem uma fragilidade institucional evidente. “Os partidos de oposição, de esquerda, são muito frágeis. Existem movimentos estudantis, campesinos, que eu acredito que agora vão sair para as ruas, mas isso precisa virar uma transformação política e econômica”, explica.

Para a analista, a queda de Peña só terá sentido se abrir espaço para mudanças reais. “A queda de Peña precisa representar para o povo paraguaio uma mudança política para um governo mais responsável, que traga perspectiva de desenvolvimento para o Paraguai, sobretudo desconstruindo o alinhamento automático aos EUA e a Taiwan”, aponta.

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