PEC pelo Fim da Escala 6×1 provoca reações intensas no setor produtivo; entenda os impactos

PEC pelo Fim da Escala 6×1 Gera Reações no Setor Produtivo
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa acabar com a escala 6×1 estabelece, além da obrigatoriedade de dois dias de descanso, a redução da carga horária de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Essa proposta tem gerado uma forte reação entre os representantes do setor produtivo, que alertam para as particularidades de cada segmento e os impactos que isso pode ter nas cadeias produtivas e nos custos operacionais.
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Clorialdo Roberto Levrero, presidente do conselho deliberativo da Abisolo (Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal), destaca que as particularidades não se restringem apenas ao campo, mas também se aplicam à agricultura em geral.
Ele menciona as janelas de plantio e colheita como exemplos de demandas específicas que exigem flexibilidade na mão de obra. “A soja, por exemplo, tem um período de 15 a 20 dias para ser plantada. Muitas vezes, o agricultor não consegue respeitar horários fixos, pois precisa agir rapidamente para não comprometer a produtividade”, explica.
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Impactos no Agronegócio e na Indústria
Marcelo Bertoni, vice-presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), também ressalta as especificidades do setor, especialmente na atividade de leiteria, onde a rotina pode ser intensa e sem folgas. Ele argumenta que a rigidez de uma escala fixa não é adequada para o agronegócio e defende que os trabalhadores devem ter a liberdade de negociar suas condições de trabalho com os empregadores.
Bertoni acredita que as forças entre empregador e empregado são equilibradas, já que ambos dependem um do outro.
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Patrícia Arantes, diretora-executiva da SRB (Sociedade Rural Brasileira), enfatiza que o setor agropecuário emprega cerca de 30 milhões de pessoas, representando um em cada quatro trabalhadores no Brasil. Qualquer mudança nesse setor pode ter um impacto significativo.
Ela menciona um estudo da Frente Parlamentar da Agropecuária que estima que o setor de etanol poderia sofrer um impacto financeiro de R$ 4 a R$ 5 bilhões, enquanto os setores de proteína suína e avícola enfrentariam perdas de R$ 9 bilhões.
Considerações do Setor Supermercadista
O setor supermercadista também expressa preocupações em relação ao fim da escala 6×1. João Galassi, presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), destaca a dificuldade de implementar uma escala de 5 por 2, especialmente com a redução da jornada de trabalho.
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Ele relata que a Abras realizou pesquisas e testes práticos com modelos de escalas e que a maioria dos trabalhadores prefere o modelo 5×2, que poderia ser absorvido pelo setor sem aumento nos preços, desde que a jornada de 44 horas semanais seja mantida.
Erlon Ortega, presidente da Apas (Associação Paulista de Supermercados), já projeta os efeitos nos preços para o consumidor final. Ele menciona que o impacto não se limita aos supermercados, mas também afeta outros setores, como condomínios, hospitais e restaurantes.
Ortega observa que o setor já enfrenta um déficit de 35 mil vagas apenas no estado de São Paulo, o que torna a situação ainda mais crítica.
Repercussões na Indústria
Fernanda Ribas, gerente trabalhista da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), prevê que os custos adicionais serão repassados ao consumidor, uma vez que não haverá uma redução proporcional nos salários. Ela alerta que a proposta, se aprovada, pode elevar a inflação e reduzir o poder de compra dos salários, além de aumentar a informalidade no mercado de trabalho.
Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), critica a rigidez da proposta, afirmando que engessar a escala de trabalho na Constituição é um erro. Ele acredita que a rápida aprovação inicial na Câmara foi impulsionada por interesses políticos, o que gerou desconforto entre os parlamentares.
Skaf defende um debate mais profundo sobre o tema.
Alex Carvalho, presidente da Fiepa (Federação das Indústrias do Estado do Pará), também critica a abordagem do debate sobre o fim da escala 6×1, sugerindo que é necessário um aprofundamento nas discussões. Ele menciona estudos que indicam um aumento de custos de 13% na construção civil e 11% na indústria de transformação, caso a PEC seja aprovada nos moldes atuais.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



