Vanusa: A Triste Perda e o Legado Inesquecível na Música Brasileira

A perda de Vanusa e seu legado na música brasileira
A música popular brasileira sofreu uma grande perda em 8 de novembro de 2020, com a morte da cantora e compositora Vanusa. Ela faleceu na manhã daquele domingo, aos 73 anos, em uma casa de repouso em Santos, no litoral de São Paulo, onde vivia há dois anos.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Por volta das 5h30, um enfermeiro notou que a artista não apresentava batimentos cardíacos. Uma equipe da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) foi chamada e confirmou que a causa do falecimento foi insuficiência respiratória. Funcionários da instituição relataram que Vanusa recebeu a visita de sua filha mais velha, Amanda, no dia anterior, quando cantou, brincou e se alimentou bem.
Entre setembro e outubro de 2020, a artista havia sido internada no Complexo Hospitalar dos Estivadores devido a um quadro grave de pneumonia. Sua morte gerou uma onda de luto em todo o país. Aretha Marcos, sua filha, prestou homenagens nas redes sociais, destacando uma coincidência tocante: a mãe faleceu no dia em que seu pai, o cantor Antônio Marcos, completaria 75 anos. “O amor é impossível.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Hoje, aniversário do meu pai, Antônio Marcos, ele veio buscar minha mãe para viverem juntos na eternidade. A vida é arte!”
Reações da família e o impacto da artista
Rafael Vannucci, filho de Vanusa e também artista, que residia em Goiânia, viajou rapidamente para São Paulo para se reunir com a família. Em um vídeo, ele expressou sua gratidão ao público: “Minha gratidão a cada um de vocês. É um momento muito difícil, com certeza é o pior dia da minha vida.
Leia também
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Mas, ao mesmo tempo, ela foi descansar, foi embora dormindo, e que o senhor receba minha mãe de braços abertos. Muito obrigada a cada um de vocês do fundo do meu coração, gratidão. E viva a Vanusa.”
Após a confirmação do falecimento, o jornalista e crítico musical Mauro Ferreira fez uma reflexão sobre a importância de Vanusa na música. Ele destacou seu papel fundamental na década de 1970, ressaltando sua postura feminista em um cenário musical dominado por homens. “Vanusa foi uma pioneira, ela foi empoderada.
Ela sempre defendeu isso quando o mundo era mais machista, poucas mulheres tinham voz ativa na música brasileira como compositoras, sobretudo”, afirmou Ferreira.
Trajetória musical de Vanusa
Vanusa Santos Flores nasceu em 22 de setembro de 1947, em Cruzeiro (SP), mas cresceu em Uberaba (MG). Com mais de 20 discos lançados e mais de 3 milhões de cópias vendidas, ela transitou entre diversos gêneros, como rock, funk americano, samba e canção popular.
Nos anos 1960, começou sua carreira aos 16 anos no grupo Golden Lions e, em 1966, alcançou o sucesso com a canção “Pra nunca mais chorar”, participando das últimas edições do programa Jovem Guarda e do humorístico “Adoráveis trapalhões”.
Na década de 1970, Vanusa viveu seu auge, lançando clássicos como “Manhãs de setembro” (em parceria com Mário Campanha) e interpretando “Sonhos de um palhaço” (de Antonio Marcos e Sérgio Sá) e “Paralelas” (de Belchior). Em 1972, casou-se com Antônio Marcos, com quem colaborou em várias canções, incluindo “Coração americano”.
Ela também se destacou no musical “Hair” e no LP “Cinderela 77”, ao lado de Ronnie Von.
Atividades e polêmicas
Nos anos seguintes, Vanusa continuou ativa em festivais internacionais no Uruguai, Chile e Coreia do Sul. Lançou sua autobiografia “Ninguém é mulher impunemente” e o monólogo musical “Ninguém é loura por acaso” em 1999. Um episódio marcante ocorreu em 2009, quando a cantora se tornou um dos assuntos mais comentados da internet ao errar a letra do Hino Nacional durante um evento na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP).
Na ocasião, Vanusa explicou que o erro foi causado por desorientação devido ao uso de medicamentos para labirintite, condição que mais tarde resultou em uma queda e três cirurgias em sua clavícula.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



