PCC perdoa vereador condenado à morte por esquemas financeiros em São Paulo
PCC concede perdão a vereador condenado por esquemas financeiros em São Paulo, abrindo caminho para acordos e execuções penais.
O vereador (PT – SP) foi condenado à morte pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), mas acabou sendo perdoado pela organização criminosa.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A informação detalhada consta em documentos apresentados tanto pela Polícia Civil quanto pelo Ministério Público de São Paulo (MP – SP) na Justiça, conforme apurou o UOL inicialmente.
Investigando esquema e desvio financeiro
As investigações apontam um complexo sistema de lavagem de dinheiro que utilizava como meio uma empresa de ônibus chamada Transunião Transportes SA.
Segundo os autos do caso, integrantes do PCC começaram a suspeitar da administração financeira feita por Adauto Soares Jorge, então presidente da companhia; ele também era visto pelas autoridades como representante de Senival Moura no negócio.
O MP – SP detalha ainda que membros da facção descobririam que adiantamentos estavam sendo desviados para financiar campanha política em 2020 — especificamente aquela destinada à reeleição do vereador —, e além disso, esses valores não eram repassados ao próprio Primeiro Comando da Capital (PCC.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Julgamento interno: condenação suspensa
As apurações indicam um “julgamento” realizado pela própria organização criminosa. Durante esse processo simulado, Adauto Soares Jorge e o político também foram condenados à morte pelo PCC.
No entanto, a pena seria revertida devido principalmente à influência política exercida por Senival Moura e considerando sua capacidade de ressarcir parte dos prejuízos que seriam atribuídos diretamente ao PCC em função do esquema financeiro.
Leia também
Acordo para execução. Em troca da clemência concedida ao vereador (PT – SP), ficou estabelecido acordo no qual ele teria concordado com uma condição: permitiria ainda a execução penal contra adiantamentos feitos. Dessa forma, foi possível realizar um acerto entre as partes envolvidas na trama criminosa.
Operação policial após assassinato
A investigação sobre o caso ganhou corpo até chegar à operação realizada nesta quinta – feira, dia 25 de junho. O ponto inicial dessa apuração criminal remonta justamente aos acontecimentos do ano de 2020 — quando Adauto Soares Jorge veio a falecer em circunstâncias violentas.
Tanto a Polícia Civil quanto o MP – SP reuniram provas robustas que demonstram como era feito uso da concessionária pelo PCC para lavar grandes quantias de dinheiro no sistema paulistano.
Somente durante o exercício financeiro de 2025, por exemplo, os registros mostravam um fluxo superior a R 300 milhões passando pela empresa Transunião Transportes SA., segundo apurados pelos investigadores.
Suspeitas sobre capital social e gestão
Os pesquisadores também apontaram suspeitos em uma estrutura paralela dentro do negócio; esse núcleo seria responsável pelas decisões mais sensíveis relacionadas à administração da Transunião transportes.
Essa mesma área teria sido usada para transferir valores diretamente para criminosos que tinham ligação com membros ativos no PCC na época dos fatos investigados. Além disso, há fortes indícios de alteração societária sem justificativa clara: o capital social saltou pouco acima de R100 mil até ultrapassar os R 50 milhões.