Panvel lucra R$ 46,4 milhões no 3º trimestre, alta de 35,4%, com canetas emagrecedoras no app
O grupo Panvel (PNVL3) lucrou R$ 46,4 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 35,4% na comparação anual, segundo o resultado ajustado divulgado pela companhia. A receita bruta consolidada chegou a R$ 1,70 bilhão, com crescimento de 15,3% no mesmo período.
O motor do resultado foram as vendas nos canais digitais, que subiram 104% e somaram R$ 792,4 milhões. O GLP-1, classe das canetas emagrecedoras, puxou boa parte desse avanço.
Canetas emagrecedoras impulsionam vendas pelo app
As buscas pelas canetas cresceram 68,8%, e o produto respondeu por 11,8% das vendas efetivas das grandes redes de farmácias no Brasil. O movimento acompanha o interesse do consumidor pelo tratamento.
Para o CFO Antonio Napp, a virada digital tem relação direta com as melhorias feitas no aplicativo. “Hoje a gente tem um processo mais fluido. As vendas podem ser iniciadas pelo app e finalizadas na loja.”
Ele explica que a empresa revisou a jornada de compra para oferecer desconto maior pelo aplicativo. “O que nos ajudou foi o GLP-1. A gente olhou para a jornada de compra pelo app para ganhar um desconto maior. Era um click-retire com muito atrito. Tem que cadastrar um cartão de crédito e finalizar a compra.”
O app próprio cresceu 271% e respondeu por 78,5% das vendas digitais. A empresa informou que 67,1% das compras foram retiradas nas próprias lojas físicas.
Medicamentos e Higiene e Beleza também sobem
Os medicamentos avançaram 17,4% no período. Já os produtos da marca Panvel ganharam 15% na categoria de Higiene e Beleza e chegaram a 18,8% das vendas desse segmento.
O EBITDA ajustado subiu 21,2%, para R$ 96,8 milhões. A venda média por loja ficou em aproximadamente R$ 837 mil por mês, alta de 10,9%.
Guidance se mantém, mas expansão de lojas fica travada
Sobre o guidance, Napp afirmou que nada mudou e que os resultados devem vir em linha com o projetado. Ele, porém, avaliou que um cenário doméstico mais favorável permitiria crescimento acelerado.
“Se a gente tivesse uma tendência de juros menor e uma pressão inflacionária menor, quem sabe a gente poderia até acelerar. E aí estou falando um pouco mais do ritmo de abertura de lojas. Nesse momento, dado o cenário, nós não vamos acelerar.”
Fim da escala 6×1 deve pesar mais a partir de 2028
Segundo Napp, todas as lojas da rede já operam no modelo 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso. Por isso, a expectativa é de impacto pequeno a partir de 2027.
“Essa primeira fase do 5×2, se nada mudar, tem um impacto pequeno em aumento de quadro nas nossas lojas. A gente pode trabalhar na parte de horários também, mas a gente tem uma expectativa baixa de que realmente seja relevante”, contou.
Já a partir de 2028, com a jornada de 40 horas semanais e os mesmos horários de atendimento, o impacto financeiro e operacional tende a crescer e exigir aumento relevante no quadro de funcionários. Para reduzir os efeitos, a empresa vai rever processos, incluindo horários de loja e repasses nos preços.
Etiquetas eletrônicas devem chegar a quase 100 lojas
A empresa já usa etiquetas eletrônicas em 5 lojas, mas a projeção é terminar o ano com quase 100. “Não vai ter mais etiqueta de papel na loja. Toda atualização de preços será automática sem intervenção humana.”
Segundo o executivo, a mudança deve trazer ganho de produtividade, ao tirar do colaborador uma tarefa repetitiva. “Qualquer pesquisa que você fizer em varejo, essa é a reclamação do colaborador e onde ele perde mais tempo. Sabe aquele trabalho que não agrega nada? E tem que ser feito todo dia? Esse é o legítimo. É um pequeno exemplo de uma coisa que muda muito a lógica. Então, a gente vai acabar indo por esse lado”, contou.
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