ONU: mais de 3 mil palestinos deixam casas em Hebron em operação militar de Israel

Granada de efeito moral dispersou protesto de famílias deslocadas, em meio a bloqueios na Cisjordânia após a morte de dois soldados e à eleição em Israel.

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Palestinos protestam contra deslocamentos em cidade da Cisjordânia.

Soldados israelenses lançaram uma granada de efeito moral na terça-feira (27) para dispersar palestinos que protestavam contra uma operação militar que deslocou milhares de moradores de um bairro de Hebron, na Cisjordânia ocupada por Israel.

O confronto ocorreu depois da morte de dois soldados israelenses, baleados por homens armados palestinos em um posto de controle na semana passada, e enquanto Israel votava em uma eleição em que a política para a Cisjordânia virou um dos temas centrais.

Algumas autoridades palestinas acusam o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de ter provocado a repressão para coincidir com a votação e mobilizar seus apoiadores de direita. O governo israelense afirma que a operação responde ao ataque.

Protesto reúne famílias contra o deslocamento

Homens, mulheres e crianças palestinos participaram da manifestação na terça-feira. Um idoso ergueu um cartaz com a frase: “Não à punição coletiva, não aos bloqueios e não ao deslocamento”.

Os militares disseram que a granada serviu para afastar os manifestantes e permitir que a operação continuasse. Na segunda-feira, a ONU (Organização das Nações Unidas) informou que mais de 3 mil palestinos foram obrigados a deixar suas casas. A ação atingiu bairros próximos ao posto de controle onde os dois soldados morreram na sexta-feira.

Forças Armadas falam em demolições e bloqueios

Em comunicado divulgado no domingo, as Forças Armadas israelenses afirmaram que os soldados fariam demolições na região. Os militares também disseram que não encontraram armas durante as buscas nas casas.

Desde o ataque ao posto de controle, na sexta-feira, Israel bloqueou a entrada da maioria das cidades e localidades palestinas na Cisjordânia, o que restringiu severamente a circulação. Noura Nassar, moradora deslocada que participou do protesto, contou ter enfrentado dificuldades para conseguir atendimento médico por causa dos bloqueios.

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Moradores de Hebron não veem mudança com a eleição

Moradores expulsos do bairro de Hebron disseram na terça-feira que a eleição pouco mudaria a realidade nos territórios ocupados desde 1967. Quanto ao futuro da região, Netanyahu e seu adversário mais forte, Gadi Eisenkot, rejeitam a ideia de um Estado palestino independente ao lado de Israel.

Sob o governo de Netanyahu, os assentamentos israelenses se expandiram rapidamente. Órgãos da ONU e a maioria dos países os consideram ilegais, embora Israel conteste essa avaliação. Na coalizão de direita liderada pelo premiê, a violência de colonos extremistas contra palestinos também aumentou.

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