OMS declara emergência internacional por surto de ebola no Congo e em Uganda
Ebola volta e coloca o mundo em alerta
Cinquenta anos após seu surgimento em comunidades rurais isoladas no coração da África Central, o vírus Ebola volta a acender o alerta global, agora em um cenário de urbanização e transfronteiriço. Em um comunicado oficial divulgado pela OMS no último domingo (17), o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde declarou que o atual surto da doença, causado pela variante Bundibugyo na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda, é considerado uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII).
A classificação da OMS foi motivada pelo alto risco de disseminação e pela confirmação de casos na capital de Uganda, Kampala, o que indica a necessidade de uma resposta global coordenada, embora ainda não se configure uma emergência total. Para entender o impacto da crise atual, é essencial contextualizar a manifestação inicial do patógeno.
A Dra. Sumire Sakabe, infectologista do Hospital Nove de Julho, explica que o Ebola foi “descoberto” em 1976, durante um surto no Zaire, hoje conhecido como República Democrática do Congo.
Histórico e transmissão do vírus
No primeiro relato em 1976, o vírus surgiu em comunidades rurais próximas ao Rio Ebola, que inspirou o nome do patógeno, caracterizando-se desde o início como uma febre hemorrágica de alta letalidade. A transmissão para humanos ocorre pelo contato com animais silvestres infectados, como morcegos frutívoros e primatas, e se espalha entre pessoas por meio do contato direto com sangue e fluidos corporais.
Cinquenta anos após sua descoberta, a dinâmica de transmissão mudou significativamente, afastando-se do padrão original de isolamento rural.
O surto atual, causado pela cepa Bundibugyo, já se espalhou por áreas urbanas e semiurbanas, cruzando fronteiras internacionais. Segundo a OMS, até 16 de maio de 2026, a província de Ituri, na RDC, registrava oito casos confirmados em laboratório, 246 casos suspeitos e 80 óbitos em investigação.
O contágio já alcançou Kampala, onde dois pacientes da RDC foram internados em unidades de terapia intensiva. Essa nova dispersão geográfica e o comportamento do vírus nas cidades diferenciam a situação atual de surtos anteriores.
Desafios no enfrentamento da doença
A Dra. Sumire Sakabe destaca que ainda não se conhece o número real de pessoas afetadas na área impactada. Quatro óbitos entre profissionais de saúde levantaram a necessidade de investigar a transmissão em serviços de saúde, e a confirmação de casos em diversas áreas gera preocupação.
Historicamente, o combate ao Ebola avançou com o desenvolvimento de vacinas para a variante Ebola-Zaire, responsável pela epidemia de 2018-2019. No entanto, a situação atual é complicada pela ausência de vacinas ou terapias específicas para a cepa Bundibugyo, deixando os sistemas de saúde locais vulneráveis.
A persistência de crises humanitárias, a intensa mobilidade populacional nas fronteiras da RDC e a presença de redes informais de saúde criam um ambiente propício para a amplificação da doença. A Dra. Sumire Sakabe conclui que a instabilidade social e o deslocamento contínuo de pessoas dificultam o controle de uma doença altamente transmissível e mortal, que requer recursos humanos e insumos para o tratamento e controle da transmissão.
Com a declaração de emergência global, a OMS convocará urgentemente seu Comitê de Emergência para elaborar recomendações temporárias coordenadas.
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Redação Saúde e Educação
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